sábado, 1 de agosto de 2026

Resultado do I Concurso Internacional de Sonetos Clássicos – Abrasso - Edição 2026

 

I CONCURSO INTERNACIONAL DE SONETOS CLÁSSICOS

Resultado

A Academia Brasileira de Sonetistas – ABRASSO apresenta o resultado do I Concurso Internacional de Sonetos Clássicos, edição 2026, de acordo com seu Regulamento e com o objetivo de revelar sonetistas lusófonos que compõem sonetos clássicos tradicionais e que preservam os seus fundamentos originais. Cada participante concorreu com apenas 01 (um) soneto inédito, não publicado, inclusive, em mídias sociais.

A proposta do Concurso, segundo seu Regulamento, foi classificar 12 (doze) sonetos e seus respectivos autores. Foram inscritos 151 (cento e cinquenta e um) sonetos, que foram triados, revisados e julgados pela Comissão Julgadora do Concurso da Abrasso 2026, composta de membros acadêmicos qualificados no gênero soneto clássico. Apenas 10 (dez) sonetistas foram classificados e seguem abaixo identificados, de acordo com a ordem decrescente das notas alcançadas. Os demais sonetos (141), lamentavelmente, não se enquadraram nos critérios definidos no Regulamento e foram desclassificados.

 

SONETOS CLASSIFICADOS

·      1° lugar: Signo em enigma – Phelipe Fernandes de Oliveira (Rio de Janeiro - RJ)

·       2º lugar: Mãos entrelaçadas – Elvira Drummond (Fortaleza - CE)

·       3º lugar: Canto da desesperança – Vinicius Nogueira (Diadema - SP)

·       4º lugar: Fração de nós – João Paulo Moço (Belford Roxo - RJ)

·       5º lugar: Agar – Marcelo Henrique (Amparo - SP)

·       6º lugar: Fluctus – Paulo Rômulo Aquino de Souza (Iguatu - CE)

·       7º lugar: O poeta vs a IA – Márcio Hideki Ayres Sakuma (Goiânia - GO)

·       8º lugar: Soneto da gratidão – Matheus Mainardes de O. da Silva (Castro - PR)

·       9º lugar: Contraditório – Mário Moura Marinho (Sorriso - MT)

·      10º lugar: Cumplicidade – Alberto da Costa Fragata (Quinta do Conde - Portugal)

Os participantes classificados em 1º, 2º e 3º lugar serão premiados com troféu e certificado das respectivas classificações, além de 5 (cinco) livros da Coletânea Abrasso 2026, do I Concurso Internacional de Sonetos Clássicos, na qual estarão reunidos os sonetos finalistas do concurso e, ainda, sonetos inéditos dos acadêmicos da Abrasso.

Os participantes classificados em 4º, 5º e 6º lugar serão premiados com certificados de Menção Honrosa e 3 (três) livros da referida Coletânea Abrasso 2026, do I Concurso Internacional de Sonetos Clássicos.

Os participantes classificados em 7º, 8º, 9º e 10º lugar serão premiados com certificado das respectivas classificações, além de 1 (um) livro da referida Coletânea Abrasso 2026, do I Concurso Internacional de Sonetos Clássicos.

Os participantes classificados no concurso receberão os seus prêmios no endereço fornecido no ato da inscrição do Concurso, sem custo para o participante finalista.

Todos os participantes premiados no concurso serão convidados a ingressarem na Academia Brasileira de Sonetistas – Abrasso, como ACADÊMICOS HONORÁRIOS (aqueles que residirem no território nacional) e como ACADÊMICOS CORRESPONDENTES (aqueles que residirem no exterior). A aceitação ao convite é FACULTATIVA.

 

Diretoria da Abrasso – Academia Brasileira de Sonetistas.

Santa Luzia, 01 de agosto de 2026.


sexta-feira, 31 de julho de 2026

SANGUE NEGRO

 


Quase em ruínas, vejo o casarão
rebobinando o tempo em que desenho,
em minha mente, aquele velho engenho
onde a saudade fica de plantão.

De longe, ouvia os brados do barão
que não cessava de franzir o cenho...
Resgato tudo, quando aqui eu venho,
jogando o tempo para a contramão.
 
Ainda escuto a voz que não se cala
dos ultrajados negros da senzala,
ao lado da capela surda e omissa.

Ainda agora, repetindo, eu vejo
o idoso padre, ao banzo do cortejo,
que sangue negro não merece missa.

Adilson Costa - Cadeira nº 21
Patrono - Euclides da Cunha

Descrição do Engenho Redenção,
no município de minha moradia
( São Lourenço da Mata -Pernambuco, )
desde os 04 anos de idade, em 1972.
O velho casarão, quase em ruínas,
ainda invoca as reminiscências
dos tempos de meus avós,
de um Brasil ainda império
e de um sistema escravagista.

A ESPERA AO ANOITECER


“Em que pensa Carlota após a valsa?”
– Castro Alves –

Ela medita cheia de incerteza,
à janela com flores em guirlanda…
Vem o sopro da tarde azul–turquesa
e um perfume levíssimo ciranda.

O que pensa, o que sente, junto à mesa,
com a lâmpada a arder suave, branda…?
Uma lágrima vem-lhe aos olhos presa...
Caem flores nas sombras da varanda,

quando murmura o entardecer vazio,
e a guirlanda balança-se, estremece…
Vão nuvens... vem um toque... um arrepio...

depois o pensamento, feito prece.
O que medita o seu olhar sem brio,
agora quando o pranto resplandece?

Paulo Maurício G Silva - Cadeira 03 
Patrono: Alphonsus De Guimarães 

(O presente soneto se trata 
de uma interação poética 
com o “Remorsos” de Castro Alves.)

sábado, 25 de julho de 2026

SECULAR E SANTO

A busca contumaz do estado etéreo
a todo instante, em toda conjuntura,
leva à obsessão aquele que procura;
nem tudo ostenta auras de mistério.

Não julgo quem o dom divino augura,
o ponto está no anelo sem critério;
não caio nesse empenho deletério
composto de desvelo… e de loucura.

Prefiro ver o santo na rotina,
a natureza tem feição divina…
o homem transverte o angélico em profano.

A lei das ruas tem seus predicados
e os púlpitos nem sempre são sagrados…
santificado seja o cotidiano!

J. Erato - Cadeira 25
Patrono Vicente de Carvalho

O jargão religioso “está no mundo”
costuma me causar estranheza (e incômodo)
porque sugere que a vida “secular”
(toda ela) está fora de Deus
e que a virtude é propriedade
exclusiva da igreja
(entenda-se igreja denominacional)
e de seus seguidores.
Acho mais coerente crer que Deus
está presente nas coisas naturais
que ficar buscando o sobrenatural
em todos os acontecimentos.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

FICA COMIGO

Fica, querida, sempre aqui comigo,
se te fores de mim, não sei se aguento,
és a porção maior do meu momento,
és o fermento deste velho trigo.

Se partires de mim, aquele vento
nunca mais vai soprar no nosso abrigo,
és tu o meu alento e eu não consigo
sequer pensar viver sem ti, lamento.

Por isso eu peço: fica um pouco mais,
eu não vou demorar, são muitos ais,
quem sabe até possamos juntos ir.

E assim, então, não vou deixar-te só,
voltaremos os dois ao mesmo pó
e subiremos ambos ao porvir.

Raymundo Salles 
Cad. 18 - Ineifran Varão

São muitos os meus momentos de reflexão,
e este soneto é fruto de um desses momentos.
Tenho medo de perdê-la, 
morro de pena de deixá-la só.

TATEANDO NO ESCURO

Perdi o meu passado, o riso e o pranto,
persiste o breu infindo em minha mente;
da infância não encontro o céu de encanto,
procuro as diversões eternamente...

Perdi o meu passado e sofro tanto!
Somente vejo o agora densamente;
rebusco, em cada foto, algum recanto
de outrora, encontro... e nele estou presente!

Desisto, colho as flores que eu alcanço,
aceito o que surgir em cada avanço,
sei que amanhã terei as mãos vazias...

Desisto, sempre foi assim, Senhor!
Prometo transformar, por onde for,
o que me fere em líricas poesias...

Janete Sales - Cadeira nº 5 
Patrono - Augusto dos Anjos

O soneto retrata a angústia 
de estender as mãos ao vazio, 
buscando algo que se sabe ter existido, 
mas que a memória 
já não consegue alcançar. 
Ao final, resta a resignação:
transformar toda essa dor em poesia.

À SOMBRA DO JUAZEIRO

Na sombra do juazeiro o sol descansa,
enquanto a minha infância reverbera...
O vento sopra e traz gentil lembrança
daquela vida cheia de quimera!

Comparo a lida árdua que me alcança
à vida revestida em primavera,
das travessuras livres na festança
que sobrevive ao tempo e não se altera.

Em nova fase vou seguindo adiante
com sonhos que plantei bem lá distante,
em busca dos sucessos que virão.

Pois trago a força viva da raiz
de tudo o que me fez e faz feliz,
forjada na labuta do Sertão.

Aila Brito - cadeira 32
Patrona  - Auta de Sousa

O poema contrapõe 
a leveza da infância sertaneja
à dureza da vida adulta, 
afirmando que é da raiz 
e do trabalho no Sertão 
que vem a força e a esperança
pelos sucessos almejados que virão.