segunda-feira, 11 de maio de 2026

Soneto Clássico com o tema AMOR.


Atividade ABRASSO:
um soneto sáfico, heroico,
alexandrino ou dodecassílabo.
Tema AMOR - Rimas ricas.


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UM AMOR TRANSCENDENTE

De flores vou encher o teu caminho, amor,
e vou atapetar de rosas o teu mundo,
prometo te fazer feliz cada segundo,
vou pôr a minha vida inteira ao teu dispor.

Se depender de mim o que preciso for,
farei pelo teu bem, irei a um mar profundo,
e quando já estiver bem velho e moribundo,
a Deus eu vou pedir me faça um bom favor.

Somente Ele é capaz, e só nele eu confio,
não quero, quando eu for, te toquem nem num fio,
porque, mesmo no céu, eu vou ficar zangado.

Se eu não soube te amar, perdoa ao teu amante,
eu vou pedir a Deus te guarde doravante,
e reserve no céu um lugar ao meu lado.

Raymundo Salles- Cadeira nº 18
Patrono - Ineifran Varão

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SE NÃO ME VENS...

Se não me vens, a vida em mim se abruma,
mergulha em tenebroso e infindo abismo,
aflita te procuro e logo cismo
que não te encontrarei em parte alguma.

Sem ti qualquer lembrança se avoluma
e invade o meu agônico mutismo,
que me pergunto mesmo se eu sofismo
acerca desse amor, de tudo, em suma.

Sem ti me torno sombra que se arrasta
em tal tristeza tão profunda e vasta
que, aos poucos, minha vida se abrevia.

Sem ti percebo tão vazio o mundo...
Sou nau sem rumo certo e logo afundo
no pélago da dor e da agonia.

Edir Pina de Barros
Cadeira n. 6 – Cecilia Meireles

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SEIVA


Tu és a seiva, a seiva cristalina,
a gênese de todo bem e alento,
na noite funda, és lágrima que ensina,
na aurora és riso que arde em céu cinzento.

No verso que se eleva, audaz e isento,
és ritmo a que se rende e em que se afina
o tom veraz e inato desse intento,
nascido à inspiração da luz divina.

Sendo a expressão maior do sonho humano,
cresces na quebra, somas numa oferta,
sem que procures prêmio ou recompensa.

Amor, a exatidão em todo engano,
serás, ao que te busca, a porta aberta,
serás, ao que te perde, a dor imensa.

Geisa Alves - Cadeira nº 23
Patrono - Artur Azevedo

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A DOENÇA ALZHEIMER EXIGE AMOR

Se meu esposo quer, eu canto o tom de outrora,
nas asas ponho o som e danço: sou gaivota;
no espaço vejo luz que o sonho bom explora;
errada a nota sol, a mão revisa e anota.

Se a voz de Alzheimer vem e nega a cura agora,
bem firme busco o dom da força em grande cota;
meu peito colhe a flor que nosso lar enflora
e o afeto sempre tem resposta e assim se nota.

Nos hospitais refaz consultas, sigo tudo.
Pesquisas faço, sei que etapas são reais!
A face chora e, então, meu lábio fica mudo.

Toda manhã, com fé, fazemos nossa prece;
o gesto nunca muda, as causas dão sinais,
os beijos devem ter o amor que “Ká” merece.

Silvia Araújo Motta
Cad.9-Guilherme de Almeida

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NA SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO,
A CRUZ DO AMOR


Quando te vejo à Cruz, assim, Senhor,
pregado, morto, exangue e deformado,
dentro de mim lateja-me o pecado:
estou num mundo sórdido e opressor

a conspirar, perverso, em seu andor,
qual fariseu cruento do passado
que Te levou a ser crucificado,
ó diviníssimo Senhor do Amor!

Contemplo, em luz, Jesus, o Teu perdão
ali, na Cruz, que nunca foi em vão,
pura expressão do Amor que à Paz conduz.

Destarte, Bom Pastor, arrependido,
diante do amável coração ferido,
eu sinto o Teu Amor ali, na Cruz.

J. Udine Vasconcelos-
Cadeira 7 - Mário Quintana

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AMOR INTRANSIGENTE

O mundo desde sempre canta o amor,
um tema mais antigo do que a roda,
no entanto não se esgota ou sai de moda,
a sua essência é ser inovador.

Há casos em que o amor nos incomoda,
pois para lhe aferir real valor,
precisamos estar a seu dispor,
nem sempre estamos prontos para a poda.

O amor floresce assim, irreverente,
e logo então se espalha em todo o ser,
mas some, pouco a pouco, ou de repente.

Porém se o amor não quer se esvanecer,
detém-se por ali e, intransigente,
aguarda por um novo amanhecer!

Luciano Dídimo - Cadeira nº 2
Patrono - Horácio Dídimo

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AMOR PERENAL

Sobre o beiral de um prédio, a noiva abandonada,
aos prantos fita o céu e se dirige a Deus:
— Durante a minha vida, eu nunca tive nada;
o amor nunca alegrou nenhum dos dias meus.

— Mas sempre tive fé, trilhei a minha estrada
sem nunca me perder e me embrenhar nos breus;
e quando acreditei que, enfim, eu era amada,
ouvi, ao telefone, a rude voz do adeus.

Atenta àquela cena, a lua, assaz aflita,
prevendo uma tragédia, estufa o peito e grita
para que a noiva deixe as margens do beiral.

E, em tom dolente, explica: o amor humano é falho,
pois tem a duração da lágrima do orvalho...
— Somente o amor de Deus é idôneo e perenal.

Maurício Cavalheiro
Cadeira nº 19
Patrono: Machado de Assis

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SENTIMENTAL EQUÍVOCO

Quisera não lembrar que a vi ali adiante:
fingiu não ver, sequer me fez qualquer aceno,
seguiu além, imersa em cego, mudo e obsceno
desprezo, em cujo mal, afoga um ser sonhante.

Senti-me qual caniço em funda lama e diante
de um quadro em que ela quis deixar-me bem pequeno,
movida pelo orgulho exposto em seu veneno,
ciúme em dó maior, num solo grave, andante.

Ao fim daquela cena, em que me vi no chão,
tolhido pela dor de ter amado em vão,
achei, talvez, haver algum ardil da fêmea.

E, assim, enquanto ascende ao céu a lua cheia,
alguma luz em mim o acaso então clareia:
havia visto ali, decerto, a sua gêmea...

Carlos Alberto de Assis Cavalcanti
Cadeira nº 27
Patrono - Antero de Quental

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AMOR DE MÃE

Amor de mãe exala o sumo dote,
ignoro o bem que seja mais completo,
indica o rumo, segue com afeto,
espalha o grão, supõe que vingue e brote.

Amor de mãe exala a flor no teto
de todo sentimento que se adote,
a fim de ver brilhar garboso mote
na trilha certa rumo ao seu dileto

rebento: amor maior em sua vida.
Afeto assim, igual eu desconheço,
supera o encanto magno que há no mundo.

O filho espelha a graça merecida,
um bem que excede, não exibe um preço
que enflore a glória deste anel profundo.

Basilina Pereira - Cadeira: 33
Patrono: Jorge de Lima

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REFLEXÕES SOBRE O AMOR

O amor!? Será possível concebê-lo
pela sublimidade, sobranceiro
diante deste mundo em desmantelo,
sendo este o meu desejo verdadeiro?

Como posso fruí-lo com desvelo
na contramão de um tempo rotineiro,
sem poder superar o pesadelo
que nos envolve a todos por inteiro?

É paixão, emoção e sensatez
que devem ser vividas, plenamente,
em consonância, tudo de uma vez

É, enfim, sentimento factual,
sensório, na expressão resiliente,
pensada por Platão em alto astral.

José Walter Pires - Cad.n° 34
Patrono - Sá de Miranda

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BANALIZADO AMOR

Falar de amor tornou-se natural;
a prática nem sempre (infelizmente).
Diversa malta fala… mas não sente,
e a desventura grassa em alto grau.

Porque o mudaram em paixão banal,
não é segredo, o mundo está doente;
a cupidez é intento dessa gente,
e o desamor, raiz de todo o mal.

Há quem invoque o amor até na guerra,
dizendo que, em seu nome, fere e mata…
duvido haver premissa mais sandia.

Não sabe o tal o dom que o amor encerra,
pois quem conhece e sente (sem bravata)
não rima amor com dor e hipocrisia.

José Erato - Cadeira 25
Patrono: Vicente de Carvalho

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ESTAÇÕES

Brotou em mim o amor de primavera,
floral sentir, em cor e em harmonia,
paixão que despertou na noite fria,
depois de uma demora tão austera!

Nutria o coração de vã quimera,
imersa no verão que em mim ardia,
no amor em aridez, sem galhardia,
em busca da metade... ah, quem me dera!

Meus dias invernosos e outonais
revivem na memória, como tais:
o amor carente e o auspício "por um fio"...

No entanto, os sonhos seguem na altivez,
de flores se revestem outra vez...
É primavera! Em mim o amor floriu.

Aila Brito - Cadeira 32
Patrona - Auta de Souza

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EM DIREÇÃO AO AMOR...

Procuro o amor em toda inspiração,
na luz do sol — fulgência de esperança —
no breu da noite, imenso em extensão,
e até no olhar gelado que me alcança...

Procuro o amor em cada relembrança,
na rota desprezada, sem opção,
no mal que me importuna e não descansa...
o meu afinco não será em vão!

Devo abrandar o desamor que existe,
somente o afeto aquece a face triste
e traz um brilho esplêndido no olhar.

Devo encontrar o amor eterno agora
e prosseguir amando a toda hora,
então serei feliz por muito amar...

Janete Sales - Cadeira nº 5
Patrono - Augusto dos Anjos

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GRÃO

Eu nele confiei, sagrando todo intento
e a cada desengano olhei bem mais adiante:
sonhava noutra plaga o horto exuberante,
a fonte de água viva, as flores que acalento.

Cansei de arar a terra; em sulcos, ao talante
das estações, deitar sementes. E, ao relento,
reguei com pranto próprio o tímido rebento
e vi calada o estio podar-me com seu guante…


Mas sendo a flor mais bela, enfim, que habita o mundo,
jamais pude deixar de crer, desta mansarda
— meu pobre coração, de ardor o mais fecundo —

que o bem que mais nos fere é o mesmo que nos guarda!
E assim vou semeando. Às léguas me transfundo,
embora seja o grão do Amor qual de mostarda.

Luciana Nobre - Cadeira nº 24
Patrono - Cruz e Sousa

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ESSE AMOR

Esse amor que ressurge a cada dia,
feito sol que padece e que renasce,
feito a lua que eleva sua face,
toda noite também, com nostalgia…

Esse amor que um olhar declararia
no momento sublime que falasse,
e mesmo que se fosse, que findasse,
nas linhas de um soneto ficaria.

Esse amor cuja súbita chegada
surpreende, mas jamais é inesperada,
e nunca é imprevisível nem incerta,

ilusória, sutil ou passageira.
Esse amor feito vulto na soleira,
que ainda espera a minha porta aberta…

Paulo Maurício G Silva -Cadeira nº 3
Patrono - Alphonsus Guimarães

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A FORÇA DO AMOR

É quase que suicídio não amar;
a vida passa, passa e vai sem pressa
e a vítima silente nunca acessa,
a sã quietude mágica de um lar!

Como apagar o brilho de um luar,
se o céu derrama paz que nunca cessa?
Todo o universo aplaude envolto nessa
realidade vívida e sem par!

Deixar de amar é grande desafio,
porém, o amor é forte, luzidio
e o coração será embevecido!

O amor é dom e esboça-se de cor;
sem ele, sim, seria bem melhor,
se desde o ventre houvesse já morrido!

Marlene Reis - Cadeira 26
Patrono: Manuel Du Bocage

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ONDE SE LÊ “CÃO”, 
LEIA-SE “AMOR”

Na soleira do tempo, à velha porta,
ele vigia o dia a se perder;
num latido baixinho e sem prazer,
com o seu coração que a dor comporta.

Fareja o vento e atento até suporta
o agro ruído ou mesmo o som de um ser
e espera por seu dono, sem perder
seu amor, coração de sua aorta.

O júbilo que salta e se derrama,
quando antevê que chega, pelo faro,
quem lhe deixou sozinho a custo caro:

a mãe-menina que lhe atiça a chama,
com uma tal paixão que o amor instiga
entre este cão fiel e sua amiga.

Márcio Adriano Moraes – Cadeira 14
Patrona – Florbela Espanca

quarta-feira, 1 de abril de 2026

ABRASSO - Sonetos com Rimas Ricas - Tema Livre


 


Atividade Academia Brasileira de Sonetistas Abrasso® :
um soneto sáfico, heroico, alexandrino ou dodecassílabo.
Tema livre - Rimas ricas



Atividade ABRASSO:


um soneto sáfico, heroico,

alexandrino ou dodecassílabo.


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AMOR À VIDA

Eu já pressinto o fim chegar-me à porta,
o fim que cabe a todo ser vivente;
contudo não me aflijo, o que me importa,
se até aqui me sinto assaz contente?

Direita a vida, outrora um pouco torta,
caráter bom, forjado em ferro quente
que o toque da bigorna amassa e corta
e as mãos de Deus que me fizeram gente.

De um Deus clemente que me deu de tudo
o que me basta para ser feliz.
O fim, portanto, não será sanhudo.

Não digo que me apraz o tal momento
que já o vejo à beira por um triz.
Vivo a pedir a Deus que o torne lento.

Raymundo Salles
Cad. 18 - Ineifran Varão



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O AMOR EM TUA BOCA

De dentro da alma esplende um sol nascente,
sou risos, sonhos, glórias, formosuras,
quando, no abrir do dia, às horas puras,
falas de amor, audaz e ardentemente!

E não percebo as farpas do presente
e nem, do outrora, as muitas desventuras,
mas quando, nas manhãs, de amor murmuras,
sou gozo pleno e sou desejo urgente.

Apaixonada trago-te nas mãos
minha loucura, todo meu delírio,
o meu destino e os meus caminhos vãos.

Chamas-me, então, com gosto, pelo nome;
em tua boca rubra feito um lírio,
sacio a minha sede e a minha fome!

Geisa Alves
- Cadeira n° 23
Patrono - Artur Azevedo



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A GUERRA

Um céu rasgado a mísseis sem vitória
que valha pelos vales deste inferno...
A terra aquece, o mundo esfria... A inglória
incompetência em ser um ser mais terno...

Desperta pelos caças, a memória
sem nome dos defuntos deste averno,
nesta existência inúmera e expiatória,
se cala ao som do alarme sempiterno...

Desobras, descalabros do desmando...
Petróleo de ancestrais queimando em fonte...
Carbono pelos ares assomando...

Que mais dizer de um tempo que não conte
além do que dizima desde quando
da história fez a guerra um Aqueronte!

Marcelo Diniz - Cadeira 17
Patrono Vinicius de Moraes



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MÓRBIDO SONETO

Não temo a morte, só a solidão,
longe da convivência de rotina
que chega de uma forma repentina,
tornando a minha vida um rito vão.

Não prezo a vida nessa condição,
segundo dizem ser a minha sina,
porém sem pretendê-la peregrina,
pedindo ajuda e tendo sempre um não.

Quero ter companhias ao meu lado,
mesmo para zombarem do meu fado
quando tiver a mente fugidia.

Melhor assim que só, no isolamento,
abandonado, triste, sonolento,
sem saber o que tenha sido um dia.

José Walter Pires - Cadeira 34

Patrono Sá de Miranda



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ALIANÇA DE SILVIA E KLINGER

O anel que está no dedo esquerdo traz conceito
do par de amor fiel que pulsa e o peito sela;
esteve em minha mão direita e à outra aceito
usar por prêmio a joia antiga e o brilho dela.

Ninguém podia crer que um dia, por direito,
iria então casar de novo e ter parcela
cheia de pejo, e enfim sentir um grande efeito,
do ser bem simples, que ama a vida e a torna bela.

O amor que tenho em casa, eu sinto ter bom cheiro,
após o banho, toda a tarde espero o abraço
que oferta o aroma bom e espalma o corpo inteiro.

Dez anos pedem todo o tempo: venha amar!
A história viva amplia o dom vital que enlaço:
eu rogo a Deus, que a paz esteja neste lar.

Silvia Araújo Motta - Cadeira 09

Patrono Guilherme de Almeida



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RELÓGIO DE AREIA

A morte escreve o fim, mas é fadário inato.
Um dia, quando soa a última trombeta,
trazendo como emblema a horrenda capa preta,
as Parcas vêm cobrar o implícito contrato:

o nosso tempo escasso acaba-se, de fato.
E quando a morte vem, com fama de ranheta,
somente cumpre a lei forçosa da ampulheta,
o autêntico verdugo, embora caricato,

a areia, com certeza, um dia se esvairá.
Não cabe a mim julgar a morte boa ou má,
apenas aceitar o ocaso sem retorno,

a sorte singular que iguala toda a gente,
sem distinção de rico ou pobre; ateu ou crente.
Ninguém corrompe o algoz; sem chance de suborno.

J. Erato - Cadeira 25

Patrono Vicente de Carvalho



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REGISTROS

Quisera reescrever o tempo agora,
com versos comedidos, mas reais,
a fim de registrar lembranças tais
que ficaram gravadas, muito embora.

Talvez o meu soneto seja mais
propício a outros temas, sim senhora,
mas quero registrar também, por hora,
o que vivemos juntos, como iguais:

manhãs de puro amor, contentamento,
promessas tão repletas de certeza,
possíveis... bem possíveis, nesse instante.

Mas tudo passa, mesmo em passo lento,
pois os amantes sabem que alma presa
resiste pouco, não é um diamante.

Basilina Pereira - Cadeira: 33
Patrono: Jorge de Lima


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BUSCA

Tendo a saudade por estrela guia,
nos véus do tempo, busco por teu rosto
que tanto amei outrora e, por suposto,
sempre amarei sem tréguas e à porfia.

Prossigo a procurar-te na poesia
que habita os vãos do sonho e, a contragosto,
eu não te encontro e, para o meu desgosto,
essa tristeza aumenta dia a dia.

Quisera, sim, matar o meu desejo
de reencontrar-te, há tempos não te vejo
e andejo assim perdida a procurar-te.

Maldito amor! Tornou-me um trapo humano
-- a imagem mais atroz do desengano --
que fez da minha vida um mundo à parte.

Edir Pina de Barros- Cadeira n. 6

Patrono Cecilia Meireles



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A MENTE


Há coisas que se passam e eu esqueço,
mas outras têm efeito deletério
e podem me levar ao cemitério
se eu não lhes destinar um endereço.

Origem e morada do mistério,
a mente não tem fim e nem começo.
Sonetos que me surgem, não mereço,
são joias que não levo tão a sério.

Desejos tão profundos, tão insanos,
que se misturam aos divinos sonhos,
talvez me distanciem desses planos.

Há versos não aceitos nos saraus
e gestos que são tidos por medonhos...
Quem sabe se são bons ou se são maus?

Luciano Dídimo - Cadeira nº 2
Patrono - Horácio Dídimo



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ENGENHARIA

Qual máquina secreta move a vida,
com giros de engrenagem invisível?
E qual o verdadeiro combustível
que torna a vida curta bem cumprida?

O tempo imprime a mola corroída,
lubrifica a memória perecível;
e o sonho torna físico o impossível
para abrandar a essência desta lida.

Mas range a base antiga da esperança,
e a fé então vacila na tardança
quando o desgaste chega à engenharia.

Quem sabe exista, além da sala fria,
um Mestre, que no fogo da oficina,
seu nome à criação então assina.

Márcio Adriano Moraes
Cadeira nº 14
Patrona - Florbela Espanca



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CORRESPONDÊNCIA

Enquanto em seu harém celeste a noite escura
se abraça à tênue luz da lua em quarto plano,
redobra o amor nascido em teu cantar cigano,
pois tem ciúme o tempo e à vida cobra usura.

Caso uma sombra atroz nos faça a vida dura
e o tempo queira impor o peso desse dano,
por certo o amor será contrário ao gesto insano
e a vida vai florir buquês de mais ternura.

Que sejas tão sonoro, assim enquanto rimas,
nos beijos dados quando estás comigo e animas
o meu viver que ao teu, em paz, mantém-se unido.

E qual Vinícius diz em verso à vil quimera:
“de tudo ao meu amor serei atento”, espera,
de mim, o mesmo amor a ser por ti nutrido.

Carlos Alberto Cavalcanti

Cadeira 27 – Antero de Quental



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SEGREDOS

Conquista, Leonardo, a fama pelo mundo
com sua reverência em magistral pintura:
o busto de mulher, de traço assaz profundo
e porte encantador, moldado em arte pura.

A Diva Mona Lisa em seu olhar facundo,
parece acompanhar a todos da moldura
e ri, furtivamente, olhando todo mundo,
num riso juvenil, com a feição madura.

A tímida expressão traduz vivaz benesse,
e pelo mundo afora a eterna Musa tece,
no riso, um arabesco, indício sedutor.

O oculto vem à tona em espiral prazer,
mas nada formaliza ou vem a esclarecer,
seria Mona Lisa amante do pintor?

Aila Brito
- Cadeira nº 32
Patrona - Auta de Souza



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DONA DO MEU SER

Esta saudade imensa não termina,
eternamente bate em minha porta;
com êxito ressurge até na esquina,
então soluço... e ela não se importa.

Esta saudade nunca se comporta,
pois quer enlouquecer a minha sina,
somente me oferece a cena morta
de outrora e, assim, a mágoa predomina.

Esta saudade — dona do meu ser —
tem traços de loucura e, avidamente,
regressa noite e dia sem ceder...

Esta saudade abriu a cicatriz
e faz prevalecer, em minha mente,
o amor que pereceu e eu sempre quis.

Janete Sales - Cadeira nº 5
Patrono - Augusto dos Anjos



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O LAMPADEIRO NA ESQUINA

O velho lampadeiro lá na esquina,
com fraca luz, e fiel ao seu dever,
vigia a rua calma, pequenina,
enquanto tudo busca escurecer.

Seu facho antigo paira em névoa fina,
um ponto quente no vazio, a arder.
Presença muda, quase que em surdina,
afasta sombra, vulto, malquerer.

Na solidão, a chama tremeluz,
com histórias de alguém que se perdeu,
com o vento que nada mais conduz.

O tempo vai seguindo o rumo seu.
Mas ele insiste, firme sob a cruz
do poste singular que o céu lhe deu.

Paulo Maurício G Silva
Cadeira nº 3
Patrono - Alphonsus Guimarães



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CONTRIÇÃO TARDIA

No banco da pracinha, está sentado
um homem sem sorriso, cujo olhar
reflete as cicatrizes do passado
que o tempo desistiu de amenizar.

O coração contrito está banhado
por pranto extemporâneo, que ao jorrar,
repete sem cansaço: — O seu pecado
foi ter abandonado o próprio lar.

Por causa de uma jovem, bela e astuta,
perdeu o bem que tinha e agora luta,
tentando convencer-se de que é forte.

E na batalha insana e degradante,
um anjo surge e diz, no mesmo instante:
— Para curá-lo eu vim! Eu sou a morte!

Maurício Cavalheiro
– Cadeira nº 19
Patrono – Machado de Assis

segunda-feira, 2 de março de 2026

1º CONCURSO INTERNACIONAL DE SONETOS CLÁSSICOS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE SONETISTAS – ABRASSO® 2026.

 


REGULAMENTO DO 1º CONCURSO INTERNACIONAL DE SONETOS CLÁSSICOS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE SONETISTAS – ABRASSO 2026.

 

 

1 – DO CONCURSO:

A Academia Brasileira de Sonetistas – ABRASSO, sediada à rua Alto do Tanque, 311, Nossa Senhora das Graças, Santa Luzia, Minas Gerais, CEP: 33.030-120, CNPJ: 49.482.750/0001-36, promove, por recursos próprios, o 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos, edição 2026, de acordo com seu Estatuto e seu Regimento Interno.

 

2 – DO OBJETIVO:

 O 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos da Academia Brasileira de Sonetistas - Abrasso 2026 tem o objetivo de revelar talentosos sonetistas que compõem sonetos clássicos tradicionais e que preservam os seus fundamentos originais.

 

3 – DOS PARTICIPANTES:

3.1 - Poderão participar do 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos da Academia Brasileira de Sonetistas – Abrasso 2026 sonetistas lusófonos independentemente de nacionalidade, que possuam maioridade civil na data de inscrição, dominem a Língua Portuguesa e saibam os fundamentos do soneto clássico tradicional;

3.2 - Cada participante concorrerá com apenas 01 (um) soneto clássico inédito de sua autoria em Língua Portuguesa. Entende-se por soneto inédito, o que não tiver sido publicado em meio impresso (livros, revistas, antologias) nem virtual (blogs, sites) incluindo redes e mídias sociais.

3.3 - É vedada aos acadêmicos da Academia Brasileira de Sonetistas a participação no concurso.

 

4 - DO SONETO:

Para atender a definição de Soneto Clássico Tradicional, as composições concorrentes ao 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos Abrasso 2026 deverão seguir os itens abaixo:

I – Conter quatorze versos distribuídos em dois quartetos iniciais e dois tercetos finais;

II – Conter métrica fixa em versos decassílabos;

III – Os versos devem ter o ritmo heroico ou sáfico, ou aqueles que se enquadrarem nestes dois ritmos, evitando tônicas nas 5ª, 7ª e 9ª sílabas poéticas, bem como tônicas subsequentes em qualquer trecho dos versos. Dar preferência à Sinérese, desde que esta não resulte em tônicas seguidas;

IV – As rimas devem obedecer aos seguintes esquemas rímicos:

Nos quartetos: (ABBA/ABBA), (ABAB/ABAB), (ABBA/BAAB) e (ABAB/BABA), mantendo o clássico de 02 (dois) pares de rimas neste trecho do soneto;

e nos tercetos, as seguintes variações: (CDC/DCD), (CCD/EED), (CDE/CDE), (CCD/EDE), (CDE/DCE), (CCD/DEE), (CCD/DCC), (CDD/DCC), (CDE/EDC), (CDE/DEC), CDD/CEE), (CDC/EDE) e (CDD/CCD), mantendo o total de até 05 (cinco) pares de rimas em todo o soneto;

V – As rimas devem ser soantes ou consoantes perfeitas; ricas (palavras de classes gramaticais diferentes em cada par de rima), podendo-se utilizar de locuções para mudar a classe gramatical da palavra envolvida na rima); raras (rimas incomuns) e/ou preciosas (construídas pela combinação de palavras de classes gramaticais diferentes ou pela combinação de uma palavra simples com um verbo pronominal). Deve-se evitar rimas com verbos no infinitivo, gerúndio ou particípio;

VI - TEMA: o soneto deve ser lírico, filosófico ou sapiencial, ou seja, expressar sentimentos e pensamentos íntimos como amor, paixão, desejo, tristeza, raiva, questionamentos, experiências, conselhos etc.;

VII – O texto do soneto deve obedecer à norma culta da gramática da língua portuguesa em todos os seus aspectos, inclusive o fonético;

VIII – O soneto deve conter figuras de linguagem tais como: figuras de som, de construção, de pensamento e de palavras;

IX – É expressamente proibido que o soneto tenha algum teor político partidário ou ideológico, antissocial, qualquer discriminação ou preconceito racial, religioso, de gênero, linguístico e cultural;

X - Os sonetos que não estiverem de acordo com os itens acima, serão automaticamente desclassificados.

 

5 - DA INSCRIÇÃO:

5.1 - Prazo de Inscrição: de 01 de março de 2026 até 31 de maio de 2026.

5.2 - A inscrição para o1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos da Academia Brasileira de Sonetistas – Abrasso 2026 é gratuita e deverá ser feita dentro do prazo de inscrição, através do e-mail oficial da Abrasso: abrassosonetistas@gmail.com.;

5.3 - Cada inscrição deverá conter, no corpo do e-mail, os dados do participante como nome completo com data de nascimento, nacionalidade e endereço completo, inclusive CEP e telefone de preferência com Whatsapp, biografia resumida (10 linhas no máximo ), o soneto concorrente com título e pseudônimo. Não será aceita inscrição de sonetos produzidos através de Inteligência Artificial (IA).

Deverá constar no final do corpo do e-mail a seguinte DECLARAÇÃO: “Caso o meu soneto seja classificado, autorizo desde já a publicação na coletânea de divulgação, nos sites e meios de comunicação, preservando os direitos autorais.”

5.4 - O autor será responsável por possíveis plágios e pela veracidade das informações prestadas, inclusive sobre a autoria da obra.

5.5 - Não será aceita inscrição com informação incompleta, conforme as exigências do item 5.3, ou que não atenda a qualquer item deste regulamento. Toda inscrição receberá e-mail de confirmação de recebimento.

5.6 - A publicação da Coletânea do 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos da Academia Brasileira de Sonetistas - ABRASSO - 2026 está prevista para setembro de 2026, com tiragem de 300 livros.

 

6 - DA COMISSÃO JULGADORA:

6.1 - Os sonetos serão triados, revisados e julgados pela Comissão de Análises da Abrasso, a qual é composta de membros acadêmicos qualificados e apreciadores do gênero soneto clássico.

6.2 - Serão classificados 12 (doze) sonetos que se enquadrarem em todos os critérios do item 4 deste regulamento, que são correção linguística, criatividade, métrica, rimas, ritmo, entonação poética e tema apropriado, e que atingirem as maiores notas dadas pelos julgadores da Comissão de Análises da Abrasso.

6.3 - A decisão da Comissão de Análises da Abrasso será soberana, plena, irrevogável e irrecorrível.

 

7 – DA PREMIAÇÃO:

7.1 - Os participantes classificados em 1º, 2º e 3º lugar serão premiados com troféus de suas respectivas classificações, certificados, além de 05 (cinco) livros da Coletânea Abrasso 2026 do 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos, na qual estarão reunidos os sonetos finalistas do concurso, bem como sonetos inéditos de acadêmicos da Abrasso.

7.2 - Os participantes classificados em 4º, 5º e 6º lugar serão premiados com certificados de Menção Honrosa e 03 (três) livros da Coletânea Abrasso 2026 do 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos, na qual estarão reunidos os sonetos finalistas do concurso, bem como sonetos inéditos de acadêmicos da Abrasso.

 

7.3 - Os participantes classificados do 7º ao 12º lugar serão premiados com certificados da respectiva classificação e 01 (um) livro da Coletânea Abrasso 2026 do 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos, na qual estarão reunidos os sonetos finalistas do concurso, bem como sonetos inéditos de acadêmicos da Abrasso.

7.4 - Todos os 12 (doze) participantes premiados no concurso receberão os seus prêmios no endereço fornecido no ato da inscrição para o 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos da Academia Brasileira de Sonetistas – Abrasso 2026, sem custo para o participante finalista.

7.5 - Todos os participantes premiados no concurso serão convidados a ingressarem na Academia Brasileira de Sonetistas – Abrasso, como ACADÊMICOS HONORÁRIOS, (aqueles que residirem no território nacional), e como ACADÊMICOS CORRESPONDENTES, (aqueles que residirem no exterior). A aceitação ao convite é FACULTATIVA.

 

8 – DO RESULTADO:

8.1 - O resultado do 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos, edição 2026, será divulgado nas mídias oficiais da Abrasso e nas redes sociais, a partir de 01 de agosto de 2026.

8.2 - Os 12 (doze) finalistas do 1º Concurso Internacional de Sonetos Clássicos, edição 2026, serão comunicados de suas classificações por e-mail.

 

Edir Pina de Barros

Presidente da Academia Brasileira de Sonetistas – Abrasso®.

01 de março de 2026.