domingo, 1 de março de 2026

DEDICATÓRIA


 

DÁDIVA DIVINA


 

CONSTATAÇÕES


 

AMOR MATERNO


 


Atividade ABRASSO:

soneto alexandrino

com tema livre com rimas ricas.

Com a presença da tônica nas sílabas:

2ª, 4ª, 6º, 8ª, 10ª e 12ª ou

nas sílabas: 3ª, 6ª, 9ª e 12ª.

Mais detalhado quanto ao ritmo:

hexámetro iâmbico

(seis iambos, ou seja, tônicas

nas sílabas 2, 4, 6, 8, 10 e 12)

ou tetranapéstico,

(quatro anapestos, ou seja, tônicas

nas sílabas 3, 6, 9 e12).

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

SONETO VÃO

 

Ainda sinto o amor que em outros tempos era

tecido em rubra cor, bordado em sóis e luas,

mas hoje o sinto junto à dor demais severa,

urdida em tanta ausência e muitas faltas tuas.

 

Ainda sinto aquele amor, mas quem me dera

vivê-lo em meu presente e as nossas almas nuas

sentissem que esse ardor se aquenta a cada espera,

mantendo, dentro em si, o sol e as nuances suas.

 

No entanto agora sei: partiste e em mim deixaste

um quê de morta flor que jaz na estéril haste,

vazia do áureo tom, vestida em branco e preto.

 

Assim a minha vida avança em mágoa, apenas: 

vergel sem lua e sol, sem vida, farto em penas,

e eu canto o meu pesar num triste e vão soneto.

 

Geisa Alves- Cadeira nº 23

Patrono - Artur Azevedo

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

CONSTATAÇÕES

 

Vivemos, todos nós, de forma bem distinta,

o mundo não se mostra em praxe firme, vária;

alguns cumulam seus haveres numa quinta,

mas outro vive só, igual se fora um pária.

 

Fortunas grandes são de poucos, não me minta!

Enquanto a plebe jaz de forma vil, sumária,

sentir piedade já se mostra coisa extinta,

talvez precise, sim, do acorde de uma Ária.

 

Valores nobres são fiéis, de grã-teor,

carecem muito ser além do “aqui e agora”,

luzir no tempo até transpor o medo e o não.

 

Respeito não se compra aqui ou lá. Valor,

por certo, deve vir do berço em boa hora,

o ser humano quer desvelo e afago são.

 

Basilina Pereira Cadeira 33

Patrono: Jorge de Lima

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

O SENTIDO DA VIDA

 

Sentido a vida tem, mas quando a gente a doa,

Induz levez na alma, e Deus se apraz, demais,

tirar do outro a dor que dói, soprar-lhe os ais,

é muito bom e a mim me faz sorrir á toa.

 

Eu vou querer ficar cravado em seus anais

assim igual semente em terra rica e boa

e ver surgir o broto ao bafo da garoa,

dar frutos tais, quiçá, aos frutos bons iguais.

 

Eu quero ver um mundo igual, um mundo justo,

o rico, assim, bancar com gosto o próprio custo

abrindo mão do ter, e vir a ser um tanto.

 

Desejo ver o pobre ao menos como eu:

na mesa o que comer, escola e um teto seu,

podendo muito mais, ao menos por enquanto.

 

Raymundo Salles Cadeira 18

Patrono- Ineifran Varão

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

EU SOU FELIZ

 

Eu sou feliz até num dia triste, juro

sem medo de erro e sei o afinco audaz que tenho;

contemplo sempre firme o espectro mais obscuro,

transformo sua forma em nada: vil desenho...

 

Eu sou feliz, até repito, assim desdenho

do vasto breu e não me escondo atrás do muro;

abraço a vida, mostro aos outros meu empenho,

realmente sei amar o bem, jamais murmuro!

 

Prefiro o riso aberto, o amor presente em tudo,

escolho a luz do sol em vez da treva infinda,

portanto, tenho em mim a paz imensa, ainda...

 

Prefiro sempre o céu, ao amplo azul saúdo,

e a todo instante a fé está em meu olhar.

A Deus oferto a vida, a Ele sei louvar!

 

Janete Sales - Cadeira nº 5

Patrono - Augusto dos Anjos

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

O REI DE LENÇÓIS

 

Se sumiu na batalha o monarca almejado,

se não mais retornou para a pátria querida,

se o seu povo deixou na incerteza se em vida

ou se morto ficou, dos guerreiros ao lado;

 

o relato daqui, por um povo contado

é que o rei, que venceu na batalha e na lida,

com a corte embarcou. E encantada e sumida

trouxe a frota a uma ilha o senhor e soldado.

 

Aportou em Lençóis, encantando-se então.

Como um touro se vê o senhor Sebastião.

Quem feri-lo o liberta ao seu reino de novo.

 

E emergidos do mar o reinado e a cidade,

São Luís sumirá sob o oceano que a invade,

dando vez ao império e à revanche do povo.

 

Filipe Cavalcante Cadeira n° 36

Patrono: Ariano Suassuna

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

DURA LEX SED LEX

 

Se a venda posta implica estado neutro e justo,

e assim proclama a voz que tem, por manto, a toga

e fiel se diz à Lei que prega e está em voga,

da qual o povo espera amparo a todo custo,

 

no entanto, a deusa grega, à qual refere o busto,

está a ouvir do povo aflito a voz que roga

por justa ação da Lei em luta contra a droga

que faz juiz calar-se aos pés do mal robusto.

 

Por trás da venda chora a Têmis quando avista

alguém que burla a Lei e faz omissa vista

ao ler o texto e dar, por fim, suspeito voto.

 

Contudo, a Lei jamais se dobra à vil peçonha,

que o povo unido, em luta, os vis na cela ponha

e a Lei se cumpra, enfim, sem ser um bem remoto.

 

Carlos Alberto de Assis Cavalcanti

Cadeira 27 – Antero de Quental

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

AMOR MATERNO

 

Madrugada silente e repleta de paz,

com a prata da lua inundando o aposento...

Na campina é sublime o sussurro do vento,

em serenas canções, num deleite que apraz.

 

Com olhar maternal de ternura, de alento,

ardorosa, ela vê, sob a colcha lilás,

o cenário pueril que o momento lhe traz:

-- o filhinho a dormir, adorado rebento!

 

Ao beijá-lo na tez, manifesta, contente,

um olhar de alegria e, sorrindo, pressente

a grandeza do amor, divinal, venerando.

 

No infinito do quarto em silêncio, com calma,

a ventura do mundo embalando-lhe a alma,

adormece feliz... permanece sonhando...

 

Paulo Tórtora, cadeira 20

patrono Fagundes Varella

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

FANTASMAS

 

Eu sei que a vida franca (e tátil) dá-se agora,

passado, bom ou mau, procuro pôr de ilharga.

O plano falha quando um sobressalto aflora:

saudade vem trazer o antanho a toda carga.

 

A aurora tarda a vir, o banzo o sono embarga,

acendo e apago a luz perante a atroz demora;

fantasmas vêm e vão nos vãos da noite larga,

enquanto indago, em vão: por que não vão embora?

 

Correntes? Passos? Sons de horror? Melhor que houvesse.

Silêncio surdo. Tento orar… deturpo a prece!

Lençóis reviro e busco o sono… inutilmente.

 

Rumino um ponto só na noite extensa e horrenda:

o primo amor morreu, lembrar não traz emenda.

Por que não tenho paz? Devolvam meu presente!

 

J. Erato Cadeira 25

Patrono Vicente de Carvalho

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

DÁDIVA DIVINA

 

O grão que rompe e viça em terra infértil, dura,

entende o que é sofrer: nascer da própria morte;

buscar na luz solar, que a todo ser depura,

a força para ter a seiva farta e forte.

 

O grão que esgarça o solo e sai da frincha escura

— depois de muito afã, atrás de quem se importe, —

dará, um dia, o fruto, o dom que traz a cura

a quem negou-lhe apoio e algum maior suporte.

 

No seu silêncio, o grão humilde ensina tanto

ao ímpio, ao sábio, ao rei, coberto em rico manto,

mas não domina, não, a própria sorte, a sina.

 

O dom da vida traz consigo a lei suprema;

aqui se nasce, aqui se morre, e o nosso lema:

qualquer vivente tem, em si, a luz divina.

 

Edir Pina de Barros Cadeira n.6

Patrona Cecília Meireles

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

MINHA CASA ANTIGA

 

A pé, estou em paz e sigo a trilha longa,

na estrada vejo o pó que traz lembrança viva,

a forte luz do sol o andar até prolonga:

rever o antigo lar provoca em mim saliva.

 

Aperto o passo e chego, assim, sem mais delonga:

o ipê está com flor; o pranto cai, motiva,

embarga a rouca voz e suave som alonga...

Assim, saudade vem reler a fiel missiva.

 

Capim meloso tem, ao longe, o meu coqueiro,

a manga está madura, a cor da grama é nova,

as aves fazem festa e cantam dia inteiro.

 

Os três degraus subi e fiz real cantiga...

Aos pais ausentes canto e muita gente prova:

Estou feliz por ver a minha casa antiga.

 

Silvia Araújo Motta - Cadeira-08

Patrono Guilherme de Almeida

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

DEDICATÓRIA

 

Dedico à minha mãe o meu buquê de versos,

com muito orgulho e ardor que trago aqui no peito.

Nas linhas deixo um beijo e abraços mil, diversos,

com todo o meu calor, por esse amor perfeito.

 

Reúno seu olhar e os gestos tão dispersos,

em rogo, sinto a força astral surtir efeito,

a luz que chega traz a paz aos meus reversos.

Relaxo... leve estou, então, feliz me deito.

 

A sua imagem santa, em doce olhar, me guia,

converte o rumo estreito em larga e bela via,

transforma a dor da ausência em fé, labor e paz.

 

Saudade tanta, em tê-la aqui, feliz, comigo,

estar em seu conforto, o meu fiel abrigo,

pois só o seu singelo e puro amor me apraz!

 

Aila Brito - cadeira 32

Patrona Auta de Souza

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

GUARNIÇÃO RESPLANDECENTE

 

Em um reino distante, ascendente e encantado,

a um dulcíssimo amor, em que o sonho em um sonho,

nos escritos do sono – em epístola – eu ponho,

um arauto anuncia o que tenho sonhado...

 

De um onírico acorde... E o que tem me acordado

o semblante suspira um sorriso risonho!

Recomponho-me – enquanto um idílio componho –

e, em meu peito, desperto-o em amor delicado.

 

– Guarnecido com vinho! – E em um cálice à prece...

Se um convite elegante a deixar-me perplexo

docemente acontece, eu apenas o aceito.

 

Resplandece o primor semelhante a um amplexo

no pueril coração. – Sustenido Perfeito! –

O eufemismo inebriante aureamente esplandece!

Bruno Fagundes Valine 

Cadeira Nº 38 – Gonçalves Dias

 

━━━━━━◇◆◇━━━━━━

 

HEDONÍSTICO ALEXANDRINO

Calmamente pedi o fulgor e o saber

de, no instante, criar um profuso soneto,

um preceito que advém, e que busco aprender,

mas modesto e cantado em um belo folheto.

 

O fervor de criá-lo e poder merecer

o sucesso, porém sem arroubos, prometo.

Produzindo o que fulja em sublime prazer

de um espasmo total e de um cântico em dueto.

 

E com tal exercício em um ritmo e na rima

transitar em radiante extensão que me arrima,

com o anseio que nasce em um poético senso.

 

Ao vislumbre de ter respeitado o prescrito,

com a fórmula escrita e com clássico rito,

revelando com arte a maneira que penso.

 

José Walter Pires - Cadeira 34

Patrono Sá de Miranda