quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

A CARTA SECRETA


 

MATER DEI


 

DANÇO NA CHUVA


 

DOPPELGÄNGER


 

QUADRO INSPIRADOR


 

ELEVAÇÃO


 

CONFISSÕES


 

AMARRAS


 

QUANDO CHEGA A PRIMAVERA


 

SUBJETIVIDADE POÉTICA: FÉ E POESIA


 

CONTORCIONISTA


 

UM AMOR TRANSCENDENTE


 

VELÓRIO MATERNO


 

SINAIS DE PROGRESSO


 

domingo, 7 de dezembro de 2025

SONETO COM RIMAS RICAS - ATIVIDADE ABRASSO

 


QUANDO CHEGA A PRIMAVERA

Se a primavera eclode em mil matizes,
para adornar as praças coloridas,
as cores desabrocham, trazem vidas
e os pássaros gorjeiam bem felizes.

O brilho das manhãs expõe jazidas
imaginárias, sim, talvez atrizes,
e os arbustos, na força das raízes,
sustentam flor e folha agradecidas.

Os insetos, no elã que se formula,
rodopiam seguindo a própria bula  
na excelência de tantos atrativos.

O encanto que transborda ali revela
todas as cores lindas da aquarela,
no vigor de expressivos traços vivos.

Basilina Pereira - Cadeira n. 33

Patrono - Jorge de Lima

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ELEVAÇÃO

Ouço o passar das horas sobre a crista
da imensa tarde que hoje me contenta.
Rabisco-lhe a lembrança sumarenta,
enquanto a noite ao longe já se avista.

Quero esticar-lhe o sumo, o azul, a ementa
e assim manter o sol ali, na vista.
Tal ilusão, de fato, me conquista,
pois nela o ocaso nunca se acinzenta.

Inspiro suavemente a seiva e a cor,
um flavo tom e gotas de esplendor,
que cingem de esperança a minha taça.

Nas asas da poesia que me enlaça,
cansada a carne, o espírito se eleva,
e escrevo versos entre a tarde e a treva.

Geisa Alves - Cadeira n.23

Patrono Artur Azevedo

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CONFISSÕES
 
Perguntam-me a razão da minha escrita,
do meu pulsar em versos, que não cessa,
de tal mergulho em tudo, tão sem pressa,
entregue à solitude, que me habita.
 
Perguntam-me, também, o que me incita
a versejar  – se fiz qualquer promessa –
e como, nos meus ermos, se processa
a proeza de poetar, demais bendita.
 
Perguntam-me se escrevo por ser triste.
Não sou!  Mas a poetisa sempre insiste
em refletir o mundo, sem temor.
 
Eu sei que poetizar me alegra e acalma
e que me entrego inteira – corpo e alma –
ao belo que há em tudo, até na dor.

Edir Pina de Barros
Cadeira n. 6 – Cecília Meireles

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UM AMOR TRANSCENDENTE
                        
De flores vou encher o teu caminho, amor,
prometo te fazer feliz cada segundo. 
O amor que eu te dedico é fértil e fecundo,
e minha vida está ao teu pleno dispor.
 
Se depender de mim o que preciso for
farei pelo teu bem com um zelo profundo
e quando eu me ausentar daqui do nosso mundo,
vou pedir ao meu Deus, que é bom, grande favor,
 
somente Ele é capaz, e só Nele eu confio,
não quero, quando eu for, te toquem nem num fio,
porque, mesmo no céu, eu vou ficar zangado.
 
Se eu não soube te amar, perdoa ao teu amante,
eu vou pedir a Deus te guarde doravante,
e reserve-lhe lá um lugar ao meu lado.

Raymundo Salles - Cadeira 18
Patrono - Ineifran Varão

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SUBJETIVIDADE POÉTICA: FÉ E POESIA

Na minha escrita poética, em verdade,
inclino-me ao lirismo, assim sedento,
e o faço sem mentira ou  fingimento,
ao sopro do Divino que me invade.

Na minha sã poesia e liberdade,
digo do Velho e Novo Testamento,
e, sem temer discórdia, fico atento
a tudo que me fira e  desagrade.

Sou poeta que navega à luz da fé,
posto que a luta em mim está de pé,
por força desta crença tão sagrada.

A subjetividade inata em mim,
inspira-me ao Senhor dizer o “sim”:
sem adorar Javé, serei um nada!

J. Udine Vasconcelos -  Cadeira nº 7
Patrono - Mário Quintana

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QUADRO INSPIRADOR

Desperta a natureza em suas sedas 
e a mágica da vida se revela: 
na terra, céus e mar... na linda tela
da aurora que se mostra em faces ledas.

Quão gráceis são: as belas alamedas,
o roseiral que vejo da janela,
a linha tracejada, paralela,
que surge no horizonte, em horas quedas...

Em ondas, vibra o mar, beijando a areia,
e um beijo de saudade serpenteia 
meu coração, um dócil beija-flor! 

Cheio de sedução, da dor me isento,
só por lembrar o nosso bom  momento,
diante desse quadro inspirador!

Aila Brito cadeira 32
Patrona Auta de Souza

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DOPPELGÄNGER

Alarga o olhar à frente da janela
e espanta-se ao se ver em plena rua.
Por instante imagina ser aquela
anônima figura a cópia sua.

O inusitado quadro lhe insinua
um gesto em direção aos olhos dela.
Contudo, a criatura espia a lua
que brilha no horizonte e se revela.

Refém do seu destino nesse hospício,
enquanto monologa em solidão,
conclui que o seu aceno foi em vão.

Entre o seu ser e aquele ser fictício,
talvez algum suplício os una em um
na mesma solidão, razão comum.

Carlos Alberto Cavalcanti
Cadeira nº 27 
Patrono - Antero de Quental

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DANÇO NA CHUVA...

Danço na chuva, quero exterminar o medo,
não dou valor ao breu que surge da tormenta
nem dou poder ao mal que arrasa o riso quedo,
somente abraço o amor, pois ele me sustenta.

Danço na chuva e sei que mesmo sendo cedo,
não me interessa o horário, o enlevo não se ausenta,
quando desejo algo eu nunca retrocedo,
eu faço da vontade a minha vestimenta!

Danço na chuva, então esqueço até a vida,
qualquer estrada, enfim, se torna mais florida,
e a paz em mim reluz, abranda as amarguras.

Danço na chuva intensa, estou feliz agora,
embriago-me do olor do renascer da aurora
e, assim, prossigo em frente até nas horas duras.

Janete Sales - Cadeira nº 5 
Patrono - Augusto dos Anjos

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SINAIS DO PROGRESSO
(À imagem de Salvador)

Essa  cidade não transluz a  minha!
Cresceu demais, e já ninguém atura,
pois de tanto progresso se amesquinha,
não há mais o deleite de aventura.

E na pressa que passa, tão daninha,
a tudo transformando na mistura
descartável, que outrora não continha,
formou-se nesse estado de tristura.

Sua centralidade foi perdida
e não possibilita a vida em paz
que em minha mocidade foi capaz.

A noviça cidade concebida
que em sua vã mudança até se ufana,
não é , pois,  a que tive, mais humana!

José Walter Pires - Cadeira n° 34 
Patrono - Sá de Miranda

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CONTORCIONISTA

Com perícia, a bizarra bailarina
adestra a anatomia a contrapelo;
elástica de todo, disciplina
o corpo do pescoço ao tornozelo.

E quanto mais se aplica na doutrina
exibe o articulado desmazelo,
como jamais se viu nem se imagina,
de invertebráveis modos de torcê-lo.

Caber de volta em ovo, a dança imita,
pois, ao dobrar-se assim, com toda graça, 
assume então a forma mais restrita

da posição fetal quando se abaixa
e inteiramente a si no fim se abraça
até caber no exíguo de uma caixa.

Marcelo Diniz
 Acadêmico Honorário

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VELÓRIO MATERNO.

A vida pede sempre um novo engenho
a quem pranteia a dor de amor, no entanto,
saber que o outro chora e mãe não tenho:
a dor é igual, por isso sofro tanto!

O que falar? A voz embarga o canto,
trazer meu forte abraço a sós eu venho; 
reconfortar e orar na paz, enquanto
vela-se o corpo frio, em firme lenho.

Por onde eu for o luto irá comigo, 
no mar, no ar, na terra até chegar
à consciência plena e achar abrigo.

Quem não tem mãe carrega a dor no peito;
falta aconchego na chegada ao lar.
O amor materno colhe o amor perfeito.

Silvia Araújo Motta  - Cadeira 9

Patrono: Guilherme de Almeida

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AMARRAS 

O amor é isso.

Não prende, não aperta, não sufoca.
Porque quando vira nó, já deixou de ser laço.
Mario Quintana

Quem jura amar, sem confiar, se engana;
o amor se opõe às ópticas estreitas.
Podes dizer, até, que me respeitas,
mas te desdizes ante a ação insana:

todo o tempo descrês, supões, espreitas...
tua exígua visão do amor profana
aquele ideal pintado por Quintana
do afeto humano em normas insuspeitas:

encanto que interliga sem correntes
(feição diversa desta como sentes)...
“não é mais laço quando vira nó.”

Teus ciúmes me causa desconforto;
peço que emendes teu caminho torto
antes que, fatalmente, acabes só.

J. Erato - Cadeira 25 
Patrono Vicente de Carvalho

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A CARTA SECRETA

Enquanto organizava a escrivaninha    
na ausência do marido, ela repara     
na transparente pasta que continha    
um envelope cor de rosa clara.   

Ciumenta, pensa: “A carta não é minha.   
Será de outra mulher? Será? Tomara     
que não!” E ao ler, aflita, cada linha,    
chora a dor pela qual jamais chorara. 

Ela se exalta ao vê-lo abrir a porta:
“Você me disse que ela estava morta,    
mas esta carta veio desmenti-lo”. 

“Você irá buscá-la. Ao sol raiar,
exijo que ela esteja em nosso lar.
Não quero a sua mãe em um asilo!"

Maurício Cavalheiro
Cadeira n.19  – Machado de Assis

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MATER DEI

Imaculada e Santa Mãe de Deus,
a única que desse dom desfruta,
somos todos humildes filhos teus,
contra o mal a travar severa luta.

A teu Filho conduza os rogos meus,
Régia Senhora, cândida e impoluta.
Traz a luz do Divino aos nossos breus.
És para nós exemplo de conduta.

És carne redimida do pecado
original no fruto consagrado 
de teu ventre salvífico, em verdade.

Arca da Nova Aliança, nova Eva,
genitora da luz num mundo em treva,
veraz Rainha-mãe da humanidade.

Paulino Lima – Cadeira n°. 1
Patrono: Castro Alves.

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Atividade ABRASSO:

um soneto sáfico,  heroico,

alexandrino ou dodecassílabo.
Tema livre.
Rimas ricas.

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