terça-feira, 4 de novembro de 2025

O TEMPO, O CANALHA

 



O TEMPO, O CANALHA

O tempo passa e passa ferozmente,
e enquanto vai passando, atroz, gargalha.
É qual um gume afiado de navalha
que marca o nosso corpo e nossa mente.

O tempo passa e passa loucamente,
qual um corcel indômito, e esmigalha
o nosso frágil ser, porque é canalha,
indiferente às frustrações da gente.

O tempo modifica os nossos planos,
deixa-nos fracos, tristes... desumanos,
quando nos cobre em cinzas  outonais.

O homem, coitado, perde o laço forte,
ao pressentir, na vida, abrupto corte...
e chora o seu adeus aos madrigais!

J. Udine 

Cadeira 07 -  Mário Quintana

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