O TEMPO, O CANALHA
O tempo passa e passa ferozmente,
e enquanto vai passando, atroz, gargalha.
É qual um gume afiado de navalha
que marca o nosso corpo e nossa mente.
O tempo passa e passa loucamente,
qual um corcel indômito, e esmigalha
o nosso frágil ser, porque é canalha,
indiferente às frustrações da gente.
O tempo modifica os nossos planos,
deixa-nos fracos, tristes... desumanos,
quando nos cobre em cinzas outonais.
O homem, coitado, perde o laço forte,
ao pressentir, na vida, abrupto corte...
e chora o seu adeus aos madrigais!
J. Udine
Cadeira 07 - Mário Quintana

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