PROMESSA IMANENTE
O tempo pertinaz dos passos da formiga
na tarefa ancestral da pequena labuta;
o tempo da minhoca em faina sem fadiga
a compostar no solo os restos que desfruta;
o tempo de uma lesma espalmando a barriga
na aspereza da rocha, arrastando a voluta;
e o tempo de uma rocha exposta ao que a mitiga,
milênios ruminando a tal matéria bruta;
o tempo do planeta ao redor do regente,
orbitando a espiral da ciranda na dança,
o tempo em que se esfria o sol tão solitário;
o tempo de um piscar e, repentinamente,
a primavera murcha e, do pólen, se lança
a promessa imanente em qualquer calendário.
Marcelo Diniz
Acadêmico Honorário

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