domingo, 1 de março de 2026

FANTASMAS


 

GUARNIÇÃO RESPLANDECENTE


 

REI DOS LENÇÓIS


 

EU SOU FELIZ


 

SONETO VÃO

 


SENTIDO DA VIDA


 

MINHA CASA ANTIGA


 

DURA LEX SED LEX




 

DEDICATÓRIA


 

DÁDIVA DIVINA


 

CONSTATAÇÕES


 

AMOR MATERNO


 


Atividade ABRASSO:

soneto alexandrino

com tema livre com rimas ricas.

Com a presença da tônica nas sílabas:

2ª, 4ª, 6º, 8ª, 10ª e 12ª ou

nas sílabas: 3ª, 6ª, 9ª e 12ª.

Mais detalhado quanto ao ritmo:

hexámetro iâmbico

(seis iambos, ou seja, tônicas

nas sílabas 2, 4, 6, 8, 10 e 12)

ou tetranapéstico,

(quatro anapestos, ou seja, tônicas

nas sílabas 3, 6, 9 e12).

 

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SONETO VÃO

 

Ainda sinto o amor que em outros tempos era

tecido em rubra cor, bordado em sóis e luas,

mas hoje o sinto junto à dor demais severa,

urdida em tanta ausência e muitas faltas tuas.

 

Ainda sinto aquele amor, mas quem me dera

vivê-lo em meu presente e as nossas almas nuas

sentissem que esse ardor se aquenta a cada espera,

mantendo, dentro em si, o sol e as nuances suas.

 

No entanto agora sei: partiste e em mim deixaste

um quê de morta flor que jaz na estéril haste,

vazia do áureo tom, vestida em branco e preto.

 

Assim a minha vida avança em mágoa, apenas: 

vergel sem lua e sol, sem vida, farto em penas,

e eu canto o meu pesar num triste e vão soneto.

 

Geisa Alves- Cadeira nº 23

Patrono - Artur Azevedo

 

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CONSTATAÇÕES

 

Vivemos, todos nós, de forma bem distinta,

o mundo não se mostra em praxe firme, vária;

alguns cumulam seus haveres numa quinta,

mas outro vive só, igual se fora um pária.

 

Fortunas grandes são de poucos, não me minta!

Enquanto a plebe jaz de forma vil, sumária,

sentir piedade já se mostra coisa extinta,

talvez precise, sim, do acorde de uma Ária.

 

Valores nobres são fiéis, de grã-teor,

carecem muito ser além do “aqui e agora”,

luzir no tempo até transpor o medo e o não.

 

Respeito não se compra aqui ou lá. Valor,

por certo, deve vir do berço em boa hora,

o ser humano quer desvelo e afago são.

 

Basilina Pereira Cadeira 33

Patrono: Jorge de Lima

 

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O SENTIDO DA VIDA

 

Sentido a vida tem, mas quando a gente a doa,

Induz levez na alma, e Deus se apraz, demais,

tirar do outro a dor que dói, soprar-lhe os ais,

é muito bom e a mim me faz sorrir á toa.

 

Eu vou querer ficar cravado em seus anais

assim igual semente em terra rica e boa

e ver surgir o broto ao bafo da garoa,

dar frutos tais, quiçá, aos frutos bons iguais.

 

Eu quero ver um mundo igual, um mundo justo,

o rico, assim, bancar com gosto o próprio custo

abrindo mão do ter, e vir a ser um tanto.

 

Desejo ver o pobre ao menos como eu:

na mesa o que comer, escola e um teto seu,

podendo muito mais, ao menos por enquanto.

 

Raymundo Salles Cadeira 18

Patrono- Ineifran Varão

 

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EU SOU FELIZ

 

Eu sou feliz até num dia triste, juro

sem medo de erro e sei o afinco audaz que tenho;

contemplo sempre firme o espectro mais obscuro,

transformo sua forma em nada: vil desenho...

 

Eu sou feliz, até repito, assim desdenho

do vasto breu e não me escondo atrás do muro;

abraço a vida, mostro aos outros meu empenho,

realmente sei amar o bem, jamais murmuro!

 

Prefiro o riso aberto, o amor presente em tudo,

escolho a luz do sol em vez da treva infinda,

portanto, tenho em mim a paz imensa, ainda...

 

Prefiro sempre o céu, ao amplo azul saúdo,

e a todo instante a fé está em meu olhar.

A Deus oferto a vida, a Ele sei louvar!

 

Janete Sales - Cadeira nº 5

Patrono - Augusto dos Anjos

 

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O REI DE LENÇÓIS

 

Se sumiu na batalha o monarca almejado,

se não mais retornou para a pátria querida,

se o seu povo deixou na incerteza se em vida

ou se morto ficou, dos guerreiros ao lado;

 

o relato daqui, por um povo contado

é que o rei, que venceu na batalha e na lida,

com a corte embarcou. E encantada e sumida

trouxe a frota a uma ilha o senhor e soldado.

 

Aportou em Lençóis, encantando-se então.

Como um touro se vê o senhor Sebastião.

Quem feri-lo o liberta ao seu reino de novo.

 

E emergidos do mar o reinado e a cidade,

São Luís sumirá sob o oceano que a invade,

dando vez ao império e à revanche do povo.

 

Filipe Cavalcante Cadeira n° 36

Patrono: Ariano Suassuna

 

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DURA LEX SED LEX

 

Se a venda posta implica estado neutro e justo,

e assim proclama a voz que tem, por manto, a toga

e fiel se diz à Lei que prega e está em voga,

da qual o povo espera amparo a todo custo,

 

no entanto, a deusa grega, à qual refere o busto,

está a ouvir do povo aflito a voz que roga

por justa ação da Lei em luta contra a droga

que faz juiz calar-se aos pés do mal robusto.

 

Por trás da venda chora a Têmis quando avista

alguém que burla a Lei e faz omissa vista

ao ler o texto e dar, por fim, suspeito voto.

 

Contudo, a Lei jamais se dobra à vil peçonha,

que o povo unido, em luta, os vis na cela ponha

e a Lei se cumpra, enfim, sem ser um bem remoto.

 

Carlos Alberto de Assis Cavalcanti

Cadeira 27 – Antero de Quental

 

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AMOR MATERNO

 

Madrugada silente e repleta de paz,

com a prata da lua inundando o aposento...

Na campina é sublime o sussurro do vento,

em serenas canções, num deleite que apraz.

 

Com olhar maternal de ternura, de alento,

ardorosa, ela vê, sob a colcha lilás,

o cenário pueril que o momento lhe traz:

-- o filhinho a dormir, adorado rebento!

 

Ao beijá-lo na tez, manifesta, contente,

um olhar de alegria e, sorrindo, pressente

a grandeza do amor, divinal, venerando.

 

No infinito do quarto em silêncio, com calma,

a ventura do mundo embalando-lhe a alma,

adormece feliz... permanece sonhando...

 

Paulo Tórtora, cadeira 20

patrono Fagundes Varella

 

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FANTASMAS

 

Eu sei que a vida franca (e tátil) dá-se agora,

passado, bom ou mau, procuro pôr de ilharga.

O plano falha quando um sobressalto aflora:

saudade vem trazer o antanho a toda carga.

 

A aurora tarda a vir, o banzo o sono embarga,

acendo e apago a luz perante a atroz demora;

fantasmas vêm e vão nos vãos da noite larga,

enquanto indago, em vão: por que não vão embora?

 

Correntes? Passos? Sons de horror? Melhor que houvesse.

Silêncio surdo. Tento orar… deturpo a prece!

Lençóis reviro e busco o sono… inutilmente.

 

Rumino um ponto só na noite extensa e horrenda:

o primo amor morreu, lembrar não traz emenda.

Por que não tenho paz? Devolvam meu presente!

 

J. Erato Cadeira 25

Patrono Vicente de Carvalho

 

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DÁDIVA DIVINA

 

O grão que rompe e viça em terra infértil, dura,

entende o que é sofrer: nascer da própria morte;

buscar na luz solar, que a todo ser depura,

a força para ter a seiva farta e forte.

 

O grão que esgarça o solo e sai da frincha escura

— depois de muito afã, atrás de quem se importe, —

dará, um dia, o fruto, o dom que traz a cura

a quem negou-lhe apoio e algum maior suporte.

 

No seu silêncio, o grão humilde ensina tanto

ao ímpio, ao sábio, ao rei, coberto em rico manto,

mas não domina, não, a própria sorte, a sina.

 

O dom da vida traz consigo a lei suprema;

aqui se nasce, aqui se morre, e o nosso lema:

qualquer vivente tem, em si, a luz divina.

 

Edir Pina de Barros Cadeira n.6

Patrona Cecília Meireles

 

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MINHA CASA ANTIGA

 

A pé, estou em paz e sigo a trilha longa,

na estrada vejo o pó que traz lembrança viva,

a forte luz do sol o andar até prolonga:

rever o antigo lar provoca em mim saliva.

 

Aperto o passo e chego, assim, sem mais delonga:

o ipê está com flor; o pranto cai, motiva,

embarga a rouca voz e suave som alonga...

Assim, saudade vem reler a fiel missiva.

 

Capim meloso tem, ao longe, o meu coqueiro,

a manga está madura, a cor da grama é nova,

as aves fazem festa e cantam dia inteiro.

 

Os três degraus subi e fiz real cantiga...

Aos pais ausentes canto e muita gente prova:

Estou feliz por ver a minha casa antiga.

 

Silvia Araújo Motta - Cadeira-08

Patrono Guilherme de Almeida

 

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DEDICATÓRIA

 

Dedico à minha mãe o meu buquê de versos,

com muito orgulho e ardor que trago aqui no peito.

Nas linhas deixo um beijo e abraços mil, diversos,

com todo o meu calor, por esse amor perfeito.

 

Reúno seu olhar e os gestos tão dispersos,

em rogo, sinto a força astral surtir efeito,

a luz que chega traz a paz aos meus reversos.

Relaxo... leve estou, então, feliz me deito.

 

A sua imagem santa, em doce olhar, me guia,

converte o rumo estreito em larga e bela via,

transforma a dor da ausência em fé, labor e paz.

 

Saudade tanta, em tê-la aqui, feliz, comigo,

estar em seu conforto, o meu fiel abrigo,

pois só o seu singelo e puro amor me apraz!

 

Aila Brito - cadeira 32

Patrona Auta de Souza

 

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GUARNIÇÃO RESPLANDECENTE

 

Em um reino distante, ascendente e encantado,

a um dulcíssimo amor, em que o sonho em um sonho,

nos escritos do sono – em epístola – eu ponho,

um arauto anuncia o que tenho sonhado...

 

De um onírico acorde... E o que tem me acordado

o semblante suspira um sorriso risonho!

Recomponho-me – enquanto um idílio componho –

e, em meu peito, desperto-o em amor delicado.

 

– Guarnecido com vinho! – E em um cálice à prece...

Se um convite elegante a deixar-me perplexo

docemente acontece, eu apenas o aceito.

 

Resplandece o primor semelhante a um amplexo

no pueril coração. – Sustenido Perfeito! –

O eufemismo inebriante aureamente esplandece!

Bruno Fagundes Valine 

Cadeira Nº 38 – Gonçalves Dias

 

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HEDONÍSTICO ALEXANDRINO

Calmamente pedi o fulgor e o saber

de, no instante, criar um profuso soneto,

um preceito que advém, e que busco aprender,

mas modesto e cantado em um belo folheto.

 

O fervor de criá-lo e poder merecer

o sucesso, porém sem arroubos, prometo.

Produzindo o que fulja em sublime prazer

de um espasmo total e de um cântico em dueto.

 

E com tal exercício em um ritmo e na rima

transitar em radiante extensão que me arrima,

com o anseio que nasce em um poético senso.

 

Ao vislumbre de ter respeitado o prescrito,

com a fórmula escrita e com clássico rito,

revelando com arte a maneira que penso.

 

José Walter Pires - Cadeira 34

Patrono Sá de Miranda