Atividade ABRASSO:
soneto alexandrino
com tema livre com rimas ricas.
Com a presença da tônica nas sílabas:
2ª, 4ª, 6º, 8ª, 10ª e 12ª ou
nas sílabas: 3ª, 6ª, 9ª e 12ª.
Mais detalhado quanto ao ritmo:
hexámetro iâmbico
(seis iambos, ou seja, tônicas
nas sílabas 2, 4, 6, 8, 10 e 12)
ou tetranapéstico,
(quatro anapestos, ou seja, tônicas
nas sílabas 3, 6, 9 e12).
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SONETO VÃO
Ainda sinto o amor que em outros tempos era
tecido em rubra cor, bordado em sóis e luas,
mas hoje o sinto junto à dor demais severa,
urdida em tanta ausência e muitas faltas tuas.
Ainda sinto aquele amor, mas quem me dera
vivê-lo em meu presente e as nossas almas nuas
sentissem que esse ardor se aquenta a cada espera,
mantendo, dentro em si, o sol e as nuances suas.
No entanto agora sei: partiste e em mim deixaste
um quê de morta flor que jaz na estéril haste,
vazia do áureo tom, vestida em branco e preto.
Assim a minha vida avança em mágoa, apenas:
vergel sem lua e sol, sem vida, farto em penas,
e eu canto o meu pesar num triste e vão soneto.
Geisa Alves- Cadeira nº 23
Patrono - Artur Azevedo
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CONSTATAÇÕES
Vivemos, todos nós, de forma bem distinta,
o mundo não se mostra em praxe firme, vária;
alguns cumulam seus haveres numa quinta,
mas outro vive só, igual se fora um pária.
Fortunas grandes são de poucos, não me minta!
Enquanto a plebe jaz de forma vil, sumária,
sentir piedade já se mostra coisa extinta,
talvez precise, sim, do acorde de uma Ária.
Valores nobres são fiéis, de grã-teor,
carecem muito ser além do “aqui e agora”,
luzir no tempo até transpor o medo e o não.
Respeito não se compra aqui ou lá. Valor,
por certo, deve vir do berço em boa hora,
o ser humano quer desvelo e afago são.
Basilina Pereira Cadeira 33
Patrono: Jorge de Lima
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O SENTIDO DA VIDA
Sentido a vida tem, mas quando a gente a doa,
Induz levez na alma, e Deus se apraz, demais,
tirar do outro a dor que dói, soprar-lhe os ais,
é muito bom e a mim me faz sorrir á toa.
Eu vou querer ficar cravado em seus anais
assim igual semente em terra rica e boa
e ver surgir o broto ao bafo da garoa,
dar frutos tais, quiçá, aos frutos bons iguais.
Eu quero ver um mundo igual, um mundo justo,
o rico, assim, bancar com gosto o próprio custo
abrindo mão do ter, e vir a ser um tanto.
Desejo ver o pobre ao menos como eu:
na mesa o que comer, escola e um teto seu,
podendo muito mais, ao menos por enquanto.
Raymundo Salles Cadeira 18
Patrono- Ineifran Varão
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EU SOU FELIZ
Eu sou feliz até num dia triste, juro
sem medo de erro e sei o afinco audaz que tenho;
contemplo sempre firme o espectro mais obscuro,
transformo sua forma em nada: vil desenho...
Eu sou feliz, até repito, assim desdenho
do vasto breu e não me escondo atrás do muro;
abraço a vida, mostro aos outros meu empenho,
realmente sei amar o bem, jamais murmuro!
Prefiro o riso aberto, o amor presente em tudo,
escolho a luz do sol em vez da treva infinda,
portanto, tenho em mim a paz imensa, ainda...
Prefiro sempre o céu, ao amplo azul saúdo,
e a todo instante a fé está em meu olhar.
A Deus oferto a vida, a Ele sei louvar!
Janete Sales - Cadeira nº 5
Patrono - Augusto dos Anjos
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O REI DE LENÇÓIS
Se sumiu na batalha o monarca almejado,
se não mais retornou para a pátria querida,
se o seu povo deixou na incerteza se em vida
ou se morto ficou, dos guerreiros ao lado;
o relato daqui, por um povo contado
é que o rei, que venceu na batalha e na lida,
com a corte embarcou. E encantada e sumida
trouxe a frota a uma ilha o senhor e soldado.
Aportou em Lençóis, encantando-se então.
Como um touro se vê o senhor Sebastião.
Quem feri-lo o liberta ao seu reino de novo.
E emergidos do mar o reinado e a cidade,
São Luís sumirá sob o oceano que a invade,
dando vez ao império e à revanche do povo.
Filipe Cavalcante Cadeira n° 36
Patrono: Ariano Suassuna
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DURA LEX SED LEX
Se a venda posta implica estado neutro e justo,
e assim proclama a voz que tem, por manto, a toga
e fiel se diz à Lei que prega e está em voga,
da qual o povo espera amparo a todo custo,
no entanto, a deusa grega, à qual refere o busto,
está a ouvir do povo aflito a voz que roga
por justa ação da Lei em luta contra a droga
que faz juiz calar-se aos pés do mal robusto.
Por trás da venda chora a Têmis quando avista
alguém que burla a Lei e faz omissa vista
ao ler o texto e dar, por fim, suspeito voto.
Contudo, a Lei jamais se dobra à vil peçonha,
que o povo unido, em luta, os vis na cela ponha
e a Lei se cumpra, enfim, sem ser um bem remoto.
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti
Cadeira 27 – Antero de Quental
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AMOR MATERNO
Madrugada silente e repleta de paz,
com a prata da lua inundando o aposento...
Na campina é sublime o sussurro do vento,
em serenas canções, num deleite que apraz.
Com olhar maternal de ternura, de alento,
ardorosa, ela vê, sob a colcha lilás,
o cenário pueril que o momento lhe traz:
-- o filhinho a dormir, adorado rebento!
Ao beijá-lo na tez, manifesta, contente,
um olhar de alegria e, sorrindo, pressente
a grandeza do amor, divinal, venerando.
No infinito do quarto em silêncio, com calma,
a ventura do mundo embalando-lhe a alma,
adormece feliz... permanece sonhando...
Paulo Tórtora, cadeira 20
patrono Fagundes Varella
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FANTASMAS
Eu sei que a vida franca (e tátil) dá-se agora,
passado, bom ou mau, procuro pôr de ilharga.
O plano falha quando um sobressalto aflora:
saudade vem trazer o antanho a toda carga.
A aurora tarda a vir, o banzo o sono embarga,
acendo e apago a luz perante a atroz demora;
fantasmas vêm e vão nos vãos da noite larga,
enquanto indago, em vão: por que não vão embora?
Correntes? Passos? Sons de horror? Melhor que houvesse.
Silêncio surdo. Tento orar… deturpo a prece!
Lençóis reviro e busco o sono… inutilmente.
Rumino um ponto só na noite extensa e horrenda:
o primo amor morreu, lembrar não traz emenda.
Por que não tenho paz? Devolvam meu presente!
J. Erato Cadeira 25
Patrono Vicente de Carvalho
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DÁDIVA DIVINA
O grão que rompe e viça em terra infértil, dura,
entende o que é sofrer: nascer da própria morte;
buscar na luz solar, que a todo ser depura,
a força para ter a seiva farta e forte.
O grão que esgarça o solo e sai da frincha escura
— depois de muito afã, atrás de quem se importe, —
dará, um dia, o fruto, o dom que traz a cura
a quem negou-lhe apoio e algum maior suporte.
No seu silêncio, o grão humilde ensina tanto
ao ímpio, ao sábio, ao rei, coberto em rico manto,
mas não domina, não, a própria sorte, a sina.
O dom da vida traz consigo a lei suprema;
aqui se nasce, aqui se morre, e o nosso lema:
qualquer vivente tem, em si, a luz divina.
Edir Pina de Barros Cadeira n.6
Patrona Cecília Meireles
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MINHA CASA ANTIGA
A pé, estou em paz e sigo a trilha longa,
na estrada vejo o pó que traz lembrança viva,
a forte luz do sol o andar até prolonga:
rever o antigo lar provoca em mim saliva.
Aperto o passo e chego, assim, sem mais delonga:
o ipê está com flor; o pranto cai, motiva,
embarga a rouca voz e suave som alonga...
Assim, saudade vem reler a fiel missiva.
Capim meloso tem, ao longe, o meu coqueiro,
a manga está madura, a cor da grama é nova,
as aves fazem festa e cantam dia inteiro.
Os três degraus subi e fiz real cantiga...
Aos pais ausentes canto e muita gente prova:
Estou feliz por ver a minha casa antiga.
Silvia Araújo Motta - Cadeira-08
Patrono Guilherme de Almeida
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DEDICATÓRIA
Dedico à minha mãe o meu buquê de versos,
com muito orgulho e ardor que trago aqui no peito.
Nas linhas deixo um beijo e abraços mil, diversos,
com todo o meu calor, por esse amor perfeito.
Reúno seu olhar e os gestos tão dispersos,
em rogo, sinto a força astral surtir efeito,
a luz que chega traz a paz aos meus reversos.
Relaxo... leve estou, então, feliz me deito.
A sua imagem santa, em doce olhar, me guia,
converte o rumo estreito em larga e bela via,
transforma a dor da ausência em fé, labor e paz.
Saudade tanta, em tê-la aqui, feliz, comigo,
estar em seu conforto, o meu fiel abrigo,
pois só o seu singelo e puro amor me apraz!
Aila Brito - cadeira 32
Patrona Auta de Souza
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GUARNIÇÃO RESPLANDECENTE
Em um reino distante, ascendente e encantado,
a um dulcíssimo amor, em que o sonho em um sonho,
nos escritos do sono – em epístola – eu ponho,
um arauto anuncia o que tenho sonhado...
De um onírico acorde... E o que tem me acordado
o semblante suspira um sorriso risonho!
Recomponho-me – enquanto um idílio componho –
e, em meu peito, desperto-o em amor delicado.
– Guarnecido com vinho! – E em um cálice à prece...
Se um convite elegante a deixar-me perplexo
docemente acontece, eu apenas o aceito.
Resplandece o primor semelhante a um amplexo
no pueril coração. – Sustenido Perfeito! –
O eufemismo inebriante aureamente esplandece!
Bruno Fagundes Valine
Cadeira Nº 38 – Gonçalves Dias
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HEDONÍSTICO ALEXANDRINO
Calmamente pedi o fulgor e o saber
de, no instante, criar um profuso soneto,
um preceito que advém, e que busco aprender,
mas modesto e cantado em um belo folheto.
O fervor de criá-lo e poder merecer
o sucesso, porém sem arroubos, prometo.
Produzindo o que fulja em sublime prazer
de um espasmo total e de um cântico em dueto.
E com tal exercício em um ritmo e na rima
transitar em radiante extensão que me arrima,
com o anseio que nasce em um poético senso.
Ao vislumbre de ter respeitado o prescrito,
com a fórmula escrita e com clássico rito,
revelando com arte a maneira que penso.
José Walter Pires - Cadeira 34
Patrono Sá de Miranda
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