Atividade ABRASSO: um soneto sáfico,
heroico, alexandrino ou dodecassílabo.
Tema DESTINO - Rimas ricas:
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DESTINO
Tenho-te nas saudades que hoje sinto
e invadem meus vazios, sempre cheios
das marcas de teus beijos, dos gorjeios
do amor, agora para sempre extinto.
Tenho-te em meu destino e, sim, pressinto,
nos vãos da solidão, dos meus anseios,
os teus olhares que, confesso, amei-os —
lilases, feito as flores de jacinto.
Tenho-te em mim e digo, sem delongas,
que estás presente em minhas noites longas,
pulsante em minhas veias, no meu sangue.
E por estares sempre em mim, desejo
odiar-te sem nenhum limite ou pejo,
mas eu estou aqui: vencida e langue.
Edir Pina de Barros
Cadeira n. 6 – Cecilia Meireles
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DUBIEDADE
Não guardo em minhas mãos a luz que acende o dia,
as noites não seguro e nem comigo as tenho.
Por mais que insista em mim algum querer ferrenho,
o fado se ergue além... e em página vazia.
O acaso não distingue o rumo em que se afia,
a vida se perfaz nos traços de um desenho:
é menos do que o sonho ou plano que retenho,
e, às vezes, muito mais que o gosto da ambrosia.
Então, riscado sobre o anseio quase doce,
ligado a algum prenúncio, ao seu matiz infirme,
figura-se o destino igual se exato fosse.
Mas entre as minhas mãos, é onda e corredeira,
enquanto espero o fim, na dúvida a nutrir-me,
assenta-se o porvir na dubiedade inteira.
Geisa Alves
Cadeira n.23 - Artur Azevedo
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MEU PALADINO
Eu tive muitas dúvidas, conflitos,
pensava qual seria o meu destino,
trilhei caminhos, muitos, esquisitos,
ora chuvosos, ora sol a pino.
Todos me pareciam bem descritos,
protegidos por Deus, o paladino,
que sempre me alertava dos atritos,
que tive desde os tempos de menino.
Muitas escarpas escalei, tamanhas,
passei por risos, choros e por sanhas,
mas firme caminhei no bom caminho.
Cheguei ao meu destino finalmente,
feliz com minha vida, assaz contente,
neste lugar que moro e em que me aninho.
Raymundo Salles
Cad. 18 - Ineifran Varão
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SINA
Folha seca que boia no regato,
em zigue-zague de uma a outra beira,
jamais retornarás à fonte ordeira,
andejas feito o córrego inexato.
Erro, também, por esse mundo ingrato,
sem meios de voltar, por mais que eu queira;
os dias bons perderam-se na poeira…
seja fado ou querer de Deus, acato.
Claudicas, ao sabor de incertas águas,
perecerás na vastidão do oceano…
antes, quiçá, mediante corrupção.
Eu sigo, mesmo tendo o peito em mágoas,
a despeito de todo desengano,
não quero dissipar a vida em vão.
J. Erato
Cadeira 25 – Vicente de Carvalho
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DESTINO FINAL
Ao vê-la ali sentada, em plena esquina, ao claro
de um dia a mais na vida ao léu, sem ter destino,
decide ouvir a voz que diz: “A ti ensino
com base em tua mão que tem um risco raro”.
Ansioso, entrega a mão e espera ter o amparo
que traga algum alívio a quem perdeu o tino
por ter amado a quem agora então atino,
ter sido amor em vão, de alguém talvez avaro.
Enquanto faz o exame ao ler as linhas tortas
na mão de quem aguarda a chave que abre as portas,
eis que um silêncio vem e a voz da boa sorte
parece não soar... Depois da tal leitura,
em tom funéreo afirma em frase fria e dura:
“O risco raro, a mim, revela a tua morte!”
Carlos Alberto Cavalcanti –Cadeira 27
Patrono Antero Quental
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O FIO DA VIDA
Em linha reta, segue cada dia
nenhum, por certo, igual ao ciclo dantes,
por mais que a vida negue tais instantes
carregam traços sós, na rota fria.
Tecer qualquer percurso na alegria,
ainda que o destino dos gigantes
possa talvez sofrer lesões marcantes,
sem mostrar que a jornada é arredia.
Dizer que estava escrito em uma estrela
a senha expressa para todos vê-la,
quiçá pareça dito bem notório,
mas cada enredo estável da existência
aponta o rumo certo, sem clemência,
do porto onde é perene o transitório.
Basilina Pereira -Cadeira 33
Patrono: Jorge de Lima
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DESTINO EM DEUS
Não creio no destino, que é fatal,
por isso elido a tal fatalidade,
embora a muita gente desagrade,
por me fixar na Luz, o meu sinal.
A minha crença diz do espiritual,
que corrobora a luz da santidade,
do plano eterno que me move e invade,
na fé que sempre vence todo o mal.
O meu destino está na mão de Deus,
assim entregue aos planos todos Seus,
jamais será um fruto vão, malgrado...
Portanto, esqueço o fútil, vil destino,
por esposar aqui o que é divino,
Jesus, o meu Senhor e Rei amado!
J. Udine Vasconcelos
Cadeira 7 - Mário Quintana
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CADA QUAL TRAÇA O SEU DESTINO
Não posso maldizer a caminhada
que fiz durante toda a minha vida,
conforme sempre fora pretendida
e como, alegremente, foi levada.
Se dúvida ocorreu na encruzilhada
a seta já trazia a ser seguida,
zarpando pela curva definida,
a cada pedra vinda camuflada.
Não há destino pronto ou acabado,
mas sendo construído pelo agente
à frente do que lhe é encorajado.
Sem ser, assim, simplória condição:
quem vive de maneira inconsequente,
irá, por certo, numa contramão.!
José Walter Pires - Cadeira 34
Patrono- Sá de Miranda
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SEMEADURA
A cada dia, a história se recria,
não há destino escrito, o dom sagrado
por Deus, no livre arbítrio, foi-nos dado
para moldar o nosso dia a dia.
Nosso futuro, um solo cultivado,
pelas ações plantadas, noite e dia,
no agora, servirá de exemplo e guia,
para o porvir de um bom ou mau legado.
É numa escolha firme, sabiamente,
que enfim podemos ter a liberdade,
sem imputar ao tempo a sorte ausente.
Seja de uma colheita sacrossanta
a nossa semeadura. Na verdade,
na vida só se colhe o que se planta!
Aila Brito - cadeira 32
Patrona - Auta de Sousa
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SINA DE POETA
Por mais que eu me dedique, queira, tente,
não sei em que papiro, com que tinta,
escrevo o meu anseio sem que eu minta,
me esconda na entrelinha, assim dormente.
Busquei aos cinco, aos dez, aos vinte, trinta,
no anverso de um haicai ou de um repente,
gritar ao universo um canto urgente…
das grades de um soneto, a voz de quinta.
No fundo sou limalha e o tal destino
me imanta e enfim me arrasta peregrino
o coração que adora a solitude…
Mas faz-me crer que além um outro lavra
e aguarda a florescência da palavra
que nos escolhe, atrai, redime, ilude.
Luciana Nobre - Cadeira nº 24
Patrono - Cruz e Sousa
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TEREI A GLÓRIA NAS MINHAS MÃOS
Seguro firmemente as rédeas do destino,
sou eu que profetizo o que serei adiante,
pois sempre faço o bem e dele sou amante,
sei que virá à frente o âmbito divino...
O meu olhar escolhe o céu e eu não me inclino,
planto um porvir de amor, procuro amar bastante;
rejeito a pequenez, preciso ser gigante
nas decisões, viver além do desatino.
Desenho no horizonte a minha sina inteira,
tudo que não me agrada expira, não me beira,
e cada amanhecer acolho com desejo.
Desenho no horizonte a minha pretensão
e não desisto, sei que os êxitos virão,
terei nas minhas mãos a glória que eu almejo!
Janete Sales - Cadeira nº 5
Patrono - Augusto dos Anjos
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DA CAVERNA PARA A LUZ
Navega o meu destino em mar profundo,
embora desconheça o ancoradouro;
o tempo não parece duradouro,
a vida passa toda em um segundo.
No escuro e prisioneiro do meu mundo,
não vejo se há nos outros um tesouro,
nem se haverá amanhecer vindouro
para o meu sonho exausto e moribundo.
Os mares se revoltam contra o vento
que sopra sem sentido e força incerta
as ordens que esse mundo não traduz.
No breu que invade a minha vida, tento
achar em mim a porta que liberta
das sombras da caverna para a Luz!
Luciano Dídimo - Cadeira nº 2
Patrono - Horácio Dídimo
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ROMARIA
Caminho pela senda do destino,
percorro chãos e céus, seguindo então…
os passos de devoto peregrino,
perdendo-se na grande solidão.
Ouvindo na distância o som de um sino
que acena e que talvez estenda a mão…
tão claro, musical e cristalino,
tocando-me com certa mansidão.
Erguendo o pó dourado desta trilha,
a minha sombra errática, andarilha,
andeja todo tempo junto a mim,
levando no trajeto a boa sorte,
a bênção que carrego firme e forte,
que me conduz também, até o fim…
Paulo Maurício G Silva - Cadeira nº 3
Patrono - Alphonsus Guimarães
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