Atividade ABRASSO:
um soneto sáfico, heroico,
alexandrino ou dodecassílabo.
Tema AMOR - Rimas ricas.
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UM AMOR TRANSCENDENTE
De flores vou encher o teu caminho, amor,
e vou atapetar de rosas o teu mundo,
prometo te fazer feliz cada segundo,
vou pôr a minha vida inteira ao teu dispor.
Se depender de mim o que preciso for,
farei pelo teu bem, irei a um mar profundo,
e quando já estiver bem velho e moribundo,
a Deus eu vou pedir me faça um bom favor.
Somente Ele é capaz, e só nele eu confio,
não quero, quando eu for, te toquem nem num fio,
porque, mesmo no céu, eu vou ficar zangado.
Se eu não soube te amar, perdoa ao teu amante,
eu vou pedir a Deus te guarde doravante,
e reserve no céu um lugar ao meu lado.
Raymundo Salles- Cadeira nº 18
Patrono - Ineifran Varão
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
SE NÃO ME VENS...
Se não me vens, a vida em mim se abruma,
mergulha em tenebroso e infindo abismo,
aflita te procuro e logo cismo
que não te encontrarei em parte alguma.
Sem ti qualquer lembrança se avoluma
e invade o meu agônico mutismo,
que me pergunto mesmo se eu sofismo
acerca desse amor, de tudo, em suma.
Sem ti me torno sombra que se arrasta
em tal tristeza tão profunda e vasta
que, aos poucos, minha vida se abrevia.
Sem ti percebo tão vazio o mundo...
Sou nau sem rumo certo e logo afundo
no pélago da dor e da agonia.
Edir Pina de Barros
Cadeira n. 6 – Cecilia Meireles
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
SEIVA
Tu és a seiva, a seiva cristalina,
a gênese de todo bem e alento,
na noite funda, és lágrima que ensina,
na aurora és riso que arde em céu cinzento.
No verso que se eleva, audaz e isento,
és ritmo a que se rende e em que se afina
o tom veraz e inato desse intento,
nascido à inspiração da luz divina.
Sendo a expressão maior do sonho humano,
cresces na quebra, somas numa oferta,
sem que procures prêmio ou recompensa.
Amor, a exatidão em todo engano,
serás, ao que te busca, a porta aberta,
serás, ao que te perde, a dor imensa.
Geisa Alves - Cadeira nº 23
Patrono - Artur Azevedo
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A DOENÇA ALZHEIMER EXIGE AMOR
Se meu esposo quer, eu canto o tom de outrora,
nas asas ponho o som e danço: sou gaivota;
no espaço vejo luz que o sonho bom explora;
errada a nota sol, a mão revisa e anota.
Se a voz de Alzheimer vem e nega a cura agora,
bem firme busco o dom da força em grande cota;
meu peito colhe a flor que nosso lar enflora
e o afeto sempre tem resposta e assim se nota.
Nos hospitais refaz consultas, sigo tudo.
Pesquisas faço, sei que etapas são reais!
A face chora e, então, meu lábio fica mudo.
Toda manhã, com fé, fazemos nossa prece;
o gesto nunca muda, as causas dão sinais,
os beijos devem ter o amor que “Ká” merece.
Silvia Araújo Motta
Cad.9-Guilherme de Almeida
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
NA SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO,
A CRUZ DO AMOR
Quando te vejo à Cruz, assim, Senhor,
pregado, morto, exangue e deformado,
dentro de mim lateja-me o pecado:
estou num mundo sórdido e opressor
a conspirar, perverso, em seu andor,
qual fariseu cruento do passado
que Te levou a ser crucificado,
ó diviníssimo Senhor do Amor!
Contemplo, em luz, Jesus, o Teu perdão
ali, na Cruz, que nunca foi em vão,
pura expressão do Amor que à Paz conduz.
Destarte, Bom Pastor, arrependido,
diante do amável coração ferido,
eu sinto o Teu Amor ali, na Cruz.
J. Udine Vasconcelos-
Cadeira 7 - Mário Quintana
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AMOR INTRANSIGENTE
O mundo desde sempre canta o amor,
um tema mais antigo do que a roda,
no entanto não se esgota ou sai de moda,
a sua essência é ser inovador.
Há casos em que o amor nos incomoda,
pois para lhe aferir real valor,
precisamos estar a seu dispor,
nem sempre estamos prontos para a poda.
O amor floresce assim, irreverente,
e logo então se espalha em todo o ser,
mas some, pouco a pouco, ou de repente.
Porém se o amor não quer se esvanecer,
detém-se por ali e, intransigente,
aguarda por um novo amanhecer!
Luciano Dídimo - Cadeira nº 2
Patrono - Horácio Dídimo
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
AMOR PERENAL
Sobre o beiral de um prédio, a noiva abandonada,
aos prantos fita o céu e se dirige a Deus:
— Durante a minha vida, eu nunca tive nada;
o amor nunca alegrou nenhum dos dias meus.
— Mas sempre tive fé, trilhei a minha estrada
sem nunca me perder e me embrenhar nos breus;
e quando acreditei que, enfim, eu era amada,
ouvi, ao telefone, a rude voz do adeus.
Atenta àquela cena, a lua, assaz aflita,
prevendo uma tragédia, estufa o peito e grita
para que a noiva deixe as margens do beiral.
E, em tom dolente, explica: o amor humano é falho,
pois tem a duração da lágrima do orvalho...
— Somente o amor de Deus é idôneo e perenal.
Maurício Cavalheiro
Cadeira nº 19
Patrono: Machado de Assis
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
SENTIMENTAL EQUÍVOCO
Quisera não lembrar que a vi ali adiante:
fingiu não ver, sequer me fez qualquer aceno,
seguiu além, imersa em cego, mudo e obsceno
desprezo, em cujo mal, afoga um ser sonhante.
Senti-me qual caniço em funda lama e diante
de um quadro em que ela quis deixar-me bem pequeno,
movida pelo orgulho exposto em seu veneno,
ciúme em dó maior, num solo grave, andante.
Ao fim daquela cena, em que me vi no chão,
tolhido pela dor de ter amado em vão,
achei, talvez, haver algum ardil da fêmea.
E, assim, enquanto ascende ao céu a lua cheia,
alguma luz em mim o acaso então clareia:
havia visto ali, decerto, a sua gêmea...
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti
Cadeira nº 27
Patrono - Antero de Quental
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
AMOR DE MÃE
Amor de mãe exala o sumo dote,
ignoro o bem que seja mais completo,
indica o rumo, segue com afeto,
espalha o grão, supõe que vingue e brote.
Amor de mãe exala a flor no teto
de todo sentimento que se adote,
a fim de ver brilhar garboso mote
na trilha certa rumo ao seu dileto
rebento: amor maior em sua vida.
Afeto assim, igual eu desconheço,
supera o encanto magno que há no mundo.
O filho espelha a graça merecida,
um bem que excede, não exibe um preço
que enflore a glória deste anel profundo.
Basilina Pereira - Cadeira: 33
Patrono: Jorge de Lima
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REFLEXÕES SOBRE O AMOR
O amor!? Será possível concebê-lo
pela sublimidade, sobranceiro
diante deste mundo em desmantelo,
sendo este o meu desejo verdadeiro?
Como posso fruí-lo com desvelo
na contramão de um tempo rotineiro,
sem poder superar o pesadelo
que nos envolve a todos por inteiro?
É paixão, emoção e sensatez
que devem ser vividas, plenamente,
em consonância, tudo de uma vez
É, enfim, sentimento factual,
sensório, na expressão resiliente,
pensada por Platão em alto astral.
José Walter Pires - Cad.n° 34
Patrono - Sá de Miranda
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BANALIZADO AMOR
Falar de amor tornou-se natural;
a prática nem sempre (infelizmente).
Diversa malta fala… mas não sente,
e a desventura grassa em alto grau.
Porque o mudaram em paixão banal,
não é segredo, o mundo está doente;
a cupidez é intento dessa gente,
e o desamor, raiz de todo o mal.
Há quem invoque o amor até na guerra,
dizendo que, em seu nome, fere e mata…
duvido haver premissa mais sandia.
Não sabe o tal o dom que o amor encerra,
pois quem conhece e sente (sem bravata)
não rima amor com dor e hipocrisia.
José Erato - Cadeira 25
Patrono: Vicente de Carvalho
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
ESTAÇÕES
Brotou em mim o amor de primavera,
floral sentir, em cor e em harmonia,
paixão que despertou na noite fria,
depois de uma demora tão austera!
Nutria o coração de vã quimera,
imersa no verão que em mim ardia,
no amor em aridez, sem galhardia,
em busca da metade... ah, quem me dera!
Meus dias invernosos e outonais
revivem na memória, como tais:
o amor carente e o auspício "por um fio"...
No entanto, os sonhos seguem na altivez,
de flores se revestem outra vez...
É primavera! Em mim o amor floriu.
Aila Brito - Cadeira 32
Patrona - Auta de Souza
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
EM DIREÇÃO AO AMOR...
Procuro o amor em toda inspiração,
na luz do sol — fulgência de esperança —
no breu da noite, imenso em extensão,
e até no olhar gelado que me alcança...
Procuro o amor em cada relembrança,
na rota desprezada, sem opção,
no mal que me importuna e não descansa...
o meu afinco não será em vão!
Devo abrandar o desamor que existe,
somente o afeto aquece a face triste
e traz um brilho esplêndido no olhar.
Devo encontrar o amor eterno agora
e prosseguir amando a toda hora,
então serei feliz por muito amar...
Janete Sales - Cadeira nº 5
Patrono - Augusto dos Anjos
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
GRÃO
Eu nele confiei, sagrando todo intento
e a cada desengano olhei bem mais adiante:
sonhava noutra plaga o horto exuberante,
a fonte de água viva, as flores que acalento.
Cansei de arar a terra; em sulcos, ao talante
das estações, deitar sementes. E, ao relento,
reguei com pranto próprio o tímido rebento
e vi calada o estio podar-me com seu guante…
Mas sendo a flor mais bela, enfim, que habita o mundo,
jamais pude deixar de crer, desta mansarda
— meu pobre coração, de ardor o mais fecundo —
que o bem que mais nos fere é o mesmo que nos guarda!
E assim vou semeando. Às léguas me transfundo,
embora seja o grão do Amor qual de mostarda.
Luciana Nobre - Cadeira nº 24
Patrono - Cruz e Sousa
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
ESSE AMOR
Esse amor que ressurge a cada dia,
feito sol que padece e que renasce,
feito a lua que eleva sua face,
toda noite também, com nostalgia…
Esse amor que um olhar declararia
no momento sublime que falasse,
e mesmo que se fosse, que findasse,
nas linhas de um soneto ficaria.
Esse amor cuja súbita chegada
surpreende, mas jamais é inesperada,
e nunca é imprevisível nem incerta,
ilusória, sutil ou passageira.
Esse amor feito vulto na soleira,
que ainda espera a minha porta aberta…
Paulo Maurício G Silva -Cadeira nº 3
Patrono - Alphonsus Guimarães
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
A FORÇA DO AMOR
É quase que suicídio não amar;
a vida passa, passa e vai sem pressa
e a vítima silente nunca acessa,
a sã quietude mágica de um lar!
Como apagar o brilho de um luar,
se o céu derrama paz que nunca cessa?
Todo o universo aplaude envolto nessa
realidade vívida e sem par!
Deixar de amar é grande desafio,
porém, o amor é forte, luzidio
e o coração será embevecido!
O amor é dom e esboça-se de cor;
sem ele, sim, seria bem melhor,
se desde o ventre houvesse já morrido!
Marlene Reis - Cadeira 26
Patrono: Manuel Du Bocage
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ONDE SE LÊ “CÃO”,
um soneto sáfico, heroico,
alexandrino ou dodecassílabo.
Tema AMOR - Rimas ricas.
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UM AMOR TRANSCENDENTE
De flores vou encher o teu caminho, amor,
e vou atapetar de rosas o teu mundo,
prometo te fazer feliz cada segundo,
vou pôr a minha vida inteira ao teu dispor.
Se depender de mim o que preciso for,
farei pelo teu bem, irei a um mar profundo,
e quando já estiver bem velho e moribundo,
a Deus eu vou pedir me faça um bom favor.
Somente Ele é capaz, e só nele eu confio,
não quero, quando eu for, te toquem nem num fio,
porque, mesmo no céu, eu vou ficar zangado.
Se eu não soube te amar, perdoa ao teu amante,
eu vou pedir a Deus te guarde doravante,
e reserve no céu um lugar ao meu lado.
Raymundo Salles- Cadeira nº 18
Patrono - Ineifran Varão
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SE NÃO ME VENS...
Se não me vens, a vida em mim se abruma,
mergulha em tenebroso e infindo abismo,
aflita te procuro e logo cismo
que não te encontrarei em parte alguma.
Sem ti qualquer lembrança se avoluma
e invade o meu agônico mutismo,
que me pergunto mesmo se eu sofismo
acerca desse amor, de tudo, em suma.
Sem ti me torno sombra que se arrasta
em tal tristeza tão profunda e vasta
que, aos poucos, minha vida se abrevia.
Sem ti percebo tão vazio o mundo...
Sou nau sem rumo certo e logo afundo
no pélago da dor e da agonia.
Edir Pina de Barros
Cadeira n. 6 – Cecilia Meireles
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SEIVA
Tu és a seiva, a seiva cristalina,
a gênese de todo bem e alento,
na noite funda, és lágrima que ensina,
na aurora és riso que arde em céu cinzento.
No verso que se eleva, audaz e isento,
és ritmo a que se rende e em que se afina
o tom veraz e inato desse intento,
nascido à inspiração da luz divina.
Sendo a expressão maior do sonho humano,
cresces na quebra, somas numa oferta,
sem que procures prêmio ou recompensa.
Amor, a exatidão em todo engano,
serás, ao que te busca, a porta aberta,
serás, ao que te perde, a dor imensa.
Geisa Alves - Cadeira nº 23
Patrono - Artur Azevedo
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A DOENÇA ALZHEIMER EXIGE AMOR
Se meu esposo quer, eu canto o tom de outrora,
nas asas ponho o som e danço: sou gaivota;
no espaço vejo luz que o sonho bom explora;
errada a nota sol, a mão revisa e anota.
Se a voz de Alzheimer vem e nega a cura agora,
bem firme busco o dom da força em grande cota;
meu peito colhe a flor que nosso lar enflora
e o afeto sempre tem resposta e assim se nota.
Nos hospitais refaz consultas, sigo tudo.
Pesquisas faço, sei que etapas são reais!
A face chora e, então, meu lábio fica mudo.
Toda manhã, com fé, fazemos nossa prece;
o gesto nunca muda, as causas dão sinais,
os beijos devem ter o amor que “Ká” merece.
Silvia Araújo Motta
Cad.9-Guilherme de Almeida
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NA SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO,
A CRUZ DO AMOR
Quando te vejo à Cruz, assim, Senhor,
pregado, morto, exangue e deformado,
dentro de mim lateja-me o pecado:
estou num mundo sórdido e opressor
a conspirar, perverso, em seu andor,
qual fariseu cruento do passado
que Te levou a ser crucificado,
ó diviníssimo Senhor do Amor!
Contemplo, em luz, Jesus, o Teu perdão
ali, na Cruz, que nunca foi em vão,
pura expressão do Amor que à Paz conduz.
Destarte, Bom Pastor, arrependido,
diante do amável coração ferido,
eu sinto o Teu Amor ali, na Cruz.
J. Udine Vasconcelos-
Cadeira 7 - Mário Quintana
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AMOR INTRANSIGENTE
O mundo desde sempre canta o amor,
um tema mais antigo do que a roda,
no entanto não se esgota ou sai de moda,
a sua essência é ser inovador.
Há casos em que o amor nos incomoda,
pois para lhe aferir real valor,
precisamos estar a seu dispor,
nem sempre estamos prontos para a poda.
O amor floresce assim, irreverente,
e logo então se espalha em todo o ser,
mas some, pouco a pouco, ou de repente.
Porém se o amor não quer se esvanecer,
detém-se por ali e, intransigente,
aguarda por um novo amanhecer!
Luciano Dídimo - Cadeira nº 2
Patrono - Horácio Dídimo
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AMOR PERENAL
Sobre o beiral de um prédio, a noiva abandonada,
aos prantos fita o céu e se dirige a Deus:
— Durante a minha vida, eu nunca tive nada;
o amor nunca alegrou nenhum dos dias meus.
— Mas sempre tive fé, trilhei a minha estrada
sem nunca me perder e me embrenhar nos breus;
e quando acreditei que, enfim, eu era amada,
ouvi, ao telefone, a rude voz do adeus.
Atenta àquela cena, a lua, assaz aflita,
prevendo uma tragédia, estufa o peito e grita
para que a noiva deixe as margens do beiral.
E, em tom dolente, explica: o amor humano é falho,
pois tem a duração da lágrima do orvalho...
— Somente o amor de Deus é idôneo e perenal.
Maurício Cavalheiro
Cadeira nº 19
Patrono: Machado de Assis
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SENTIMENTAL EQUÍVOCO
Quisera não lembrar que a vi ali adiante:
fingiu não ver, sequer me fez qualquer aceno,
seguiu além, imersa em cego, mudo e obsceno
desprezo, em cujo mal, afoga um ser sonhante.
Senti-me qual caniço em funda lama e diante
de um quadro em que ela quis deixar-me bem pequeno,
movida pelo orgulho exposto em seu veneno,
ciúme em dó maior, num solo grave, andante.
Ao fim daquela cena, em que me vi no chão,
tolhido pela dor de ter amado em vão,
achei, talvez, haver algum ardil da fêmea.
E, assim, enquanto ascende ao céu a lua cheia,
alguma luz em mim o acaso então clareia:
havia visto ali, decerto, a sua gêmea...
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti
Cadeira nº 27
Patrono - Antero de Quental
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AMOR DE MÃE
Amor de mãe exala o sumo dote,
ignoro o bem que seja mais completo,
indica o rumo, segue com afeto,
espalha o grão, supõe que vingue e brote.
Amor de mãe exala a flor no teto
de todo sentimento que se adote,
a fim de ver brilhar garboso mote
na trilha certa rumo ao seu dileto
rebento: amor maior em sua vida.
Afeto assim, igual eu desconheço,
supera o encanto magno que há no mundo.
O filho espelha a graça merecida,
um bem que excede, não exibe um preço
que enflore a glória deste anel profundo.
Basilina Pereira - Cadeira: 33
Patrono: Jorge de Lima
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REFLEXÕES SOBRE O AMOR
O amor!? Será possível concebê-lo
pela sublimidade, sobranceiro
diante deste mundo em desmantelo,
sendo este o meu desejo verdadeiro?
Como posso fruí-lo com desvelo
na contramão de um tempo rotineiro,
sem poder superar o pesadelo
que nos envolve a todos por inteiro?
É paixão, emoção e sensatez
que devem ser vividas, plenamente,
em consonância, tudo de uma vez
É, enfim, sentimento factual,
sensório, na expressão resiliente,
pensada por Platão em alto astral.
José Walter Pires - Cad.n° 34
Patrono - Sá de Miranda
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BANALIZADO AMOR
Falar de amor tornou-se natural;
a prática nem sempre (infelizmente).
Diversa malta fala… mas não sente,
e a desventura grassa em alto grau.
Porque o mudaram em paixão banal,
não é segredo, o mundo está doente;
a cupidez é intento dessa gente,
e o desamor, raiz de todo o mal.
Há quem invoque o amor até na guerra,
dizendo que, em seu nome, fere e mata…
duvido haver premissa mais sandia.
Não sabe o tal o dom que o amor encerra,
pois quem conhece e sente (sem bravata)
não rima amor com dor e hipocrisia.
José Erato - Cadeira 25
Patrono: Vicente de Carvalho
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ESTAÇÕES
Brotou em mim o amor de primavera,
floral sentir, em cor e em harmonia,
paixão que despertou na noite fria,
depois de uma demora tão austera!
Nutria o coração de vã quimera,
imersa no verão que em mim ardia,
no amor em aridez, sem galhardia,
em busca da metade... ah, quem me dera!
Meus dias invernosos e outonais
revivem na memória, como tais:
o amor carente e o auspício "por um fio"...
No entanto, os sonhos seguem na altivez,
de flores se revestem outra vez...
É primavera! Em mim o amor floriu.
Aila Brito - Cadeira 32
Patrona - Auta de Souza
━━━━━━◇◆◇━━━━━━
EM DIREÇÃO AO AMOR...
Procuro o amor em toda inspiração,
na luz do sol — fulgência de esperança —
no breu da noite, imenso em extensão,
e até no olhar gelado que me alcança...
Procuro o amor em cada relembrança,
na rota desprezada, sem opção,
no mal que me importuna e não descansa...
o meu afinco não será em vão!
Devo abrandar o desamor que existe,
somente o afeto aquece a face triste
e traz um brilho esplêndido no olhar.
Devo encontrar o amor eterno agora
e prosseguir amando a toda hora,
então serei feliz por muito amar...
Janete Sales - Cadeira nº 5
Patrono - Augusto dos Anjos
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GRÃO
Eu nele confiei, sagrando todo intento
e a cada desengano olhei bem mais adiante:
sonhava noutra plaga o horto exuberante,
a fonte de água viva, as flores que acalento.
Cansei de arar a terra; em sulcos, ao talante
das estações, deitar sementes. E, ao relento,
reguei com pranto próprio o tímido rebento
e vi calada o estio podar-me com seu guante…
Mas sendo a flor mais bela, enfim, que habita o mundo,
jamais pude deixar de crer, desta mansarda
— meu pobre coração, de ardor o mais fecundo —
que o bem que mais nos fere é o mesmo que nos guarda!
E assim vou semeando. Às léguas me transfundo,
embora seja o grão do Amor qual de mostarda.
Luciana Nobre - Cadeira nº 24
Patrono - Cruz e Sousa
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ESSE AMOR
Esse amor que ressurge a cada dia,
feito sol que padece e que renasce,
feito a lua que eleva sua face,
toda noite também, com nostalgia…
Esse amor que um olhar declararia
no momento sublime que falasse,
e mesmo que se fosse, que findasse,
nas linhas de um soneto ficaria.
Esse amor cuja súbita chegada
surpreende, mas jamais é inesperada,
e nunca é imprevisível nem incerta,
ilusória, sutil ou passageira.
Esse amor feito vulto na soleira,
que ainda espera a minha porta aberta…
Paulo Maurício G Silva -Cadeira nº 3
Patrono - Alphonsus Guimarães
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A FORÇA DO AMOR
É quase que suicídio não amar;
a vida passa, passa e vai sem pressa
e a vítima silente nunca acessa,
a sã quietude mágica de um lar!
Como apagar o brilho de um luar,
se o céu derrama paz que nunca cessa?
Todo o universo aplaude envolto nessa
realidade vívida e sem par!
Deixar de amar é grande desafio,
porém, o amor é forte, luzidio
e o coração será embevecido!
O amor é dom e esboça-se de cor;
sem ele, sim, seria bem melhor,
se desde o ventre houvesse já morrido!
Marlene Reis - Cadeira 26
Patrono: Manuel Du Bocage
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ONDE SE LÊ “CÃO”,
LEIA-SE “AMOR”
Na soleira do tempo, à velha porta,
ele vigia o dia a se perder;
num latido baixinho e sem prazer,
com o seu coração que a dor comporta.
Fareja o vento e atento até suporta
o agro ruído ou mesmo o som de um ser
e espera por seu dono, sem perder
seu amor, coração de sua aorta.
O júbilo que salta e se derrama,
quando antevê que chega, pelo faro,
quem lhe deixou sozinho a custo caro:
a mãe-menina que lhe atiça a chama,
com uma tal paixão que o amor instiga
entre este cão fiel e sua amiga.
Márcio Adriano Moraes – Cadeira 14
Patrona – Florbela Espanca
Na soleira do tempo, à velha porta,
ele vigia o dia a se perder;
num latido baixinho e sem prazer,
com o seu coração que a dor comporta.
Fareja o vento e atento até suporta
o agro ruído ou mesmo o som de um ser
e espera por seu dono, sem perder
seu amor, coração de sua aorta.
O júbilo que salta e se derrama,
quando antevê que chega, pelo faro,
quem lhe deixou sozinho a custo caro:
a mãe-menina que lhe atiça a chama,
com uma tal paixão que o amor instiga
entre este cão fiel e sua amiga.
Márcio Adriano Moraes – Cadeira 14
Patrona – Florbela Espanca

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