IMPONDERÁVEL TEMPO
Tenho o tempo no pulso e as horas lhe consulto
ao passo que a peleja enfrento na labuta
que transforma a energia ativa em força bruta,
pois do tempo me falta o pulso por indulto.
Clepsidra ou ampulheta, o tempo se faz vulto
que reduz a existência à fração diminuta
na qual me delimita os riscos dessa luta
até que eu volte ao pó no chão de onde resulto.
Igual ao girassol que espera a nova aurora,
que eu seja mais capaz da aspiração que aflora
ao desejar o sol que cedo reinicia
o amanhecer que traz, da noite, o novo dia
no brilho que clareia a terra, os céus e o mar,
enquanto canto: “Deixe a vida me levar...”
Carlos Alberto Cavalcanti
Cadeira 27 – Antero de Quental

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