A noite, em lágrimas e dor, semeia
um grão estéril no vapor do dia
e a flor que medra na manhã vazia,
fervendo o olhar, solidifica a veia.
Na funda névoa da infindável teia,
o sol se apaga; em aflição se esfria
o céu do riso, e sem qualquer poesia
a alma definha, o desprazer granjeia.
Ao relembrar as alegrias de antes,
revive a morte e os invernais instantes,
enquanto a vida, sem amor, se turva.
O seu futuro que se esvai na curva
da relembrança ao desconsolo o arvora...
o seu passado lhe subtrai o agora...
Geisa Alves
Cadeira n.23 - Artur Azevedo
O soneto retrata uma alma aprisionada
nas lembranças que se transformam em morada,
esterilizando o futuro.
Grão infértil" simboliza a incapacidade
de fazer nascer um novo amor,
nova esperança.
nas lembranças que se transformam em morada,
esterilizando o futuro.
Grão infértil" simboliza a incapacidade
de fazer nascer um novo amor,
nova esperança.

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