quinta-feira, 23 de julho de 2026

TATEANDO NO ESCURO

Perdi o meu passado, o riso e o pranto,
persiste o breu infindo em minha mente;
da infância não encontro o céu de encanto,
procuro as diversões eternamente...

Perdi o meu passado e sofro tanto!
Somente vejo o agora densamente;
rebusco, em cada foto, algum recanto
de outrora, encontro... e nele estou presente!

Desisto, colho as flores que eu alcanço,
aceito o que surgir em cada avanço,
sei que amanhã terei as mãos vazias...

Desisto, sempre foi assim, Senhor!
Prometo transformar, por onde for,
o que me fere em líricas poesias...

Janete Sales - Cadeira nº 5 
Patrono - Augusto dos Anjos

O soneto retrata a angústia 
de estender as mãos ao vazio, 
buscando algo que se sabe ter existido, 
mas que a memória 
já não consegue alcançar. 
Ao final, resta a resignação:
transformar toda essa dor em poesia.

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