terça-feira, 4 de novembro de 2025

CRISTAIS

 


CRISTAIS

Resvalo nos cristais da noite que sepulta
o riso da manhã e os lábaros do dia.
Num átimo febril a minha dor espia
a aragem do porvir e a sua fé oculta.

Quisera interromper o ciclo que faculta
à aurora esvanecer na tarde de asa fria.
O tempo, em seu furor, a tudo silencia,
e jaz na imensidão a azáfama insepulta...

Resvalo nos cristais, nas dobras temporais,
por entre lua e sol, colheita, seca e fome,
na imensa exatidão que o tempo dilacera.

Enquanto resta luz, resvalo nos cristais.
No jogo especular que aos poucos me consome,
eu sou argila e pó, semente, morte, espera...

Geisa Alves 

Cadeira n.23  - Artur Azevedo

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