segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Atividade Abrasso: soneto com resumo.

SONETO

Tema livre. - Rimas ricas

Após a apresentação do soneto, 
cada acadêmico deverá escrever
um breve resumo, de 2 a 4 linhas, 
explicando a inspiração, 
a ideia central ou a mensagem
que desejou transmitir em sua composição.

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NON OMNIS MORIAR
(ao mestre Bilac)

Na torre de marfim, velando em tua prece, 
lavas o verbo impuro, em fonte cristalina,
impondo ao verso o freio e a lei que disciplina
o efêmero e refaz na forma que o enobrece.

Fitas o mundo ao longe, imerso em tua messe, 
ergues a forma clara, à luz da astral doutrina, 
o verso que te inspira, eterno se ilumina, 
enquanto o mundo clama, em sombra que entardece.

Manténs a Flor do Lácio  em nobre e bela forma,
alçando ao firmamento a essência que  transforma,
para que o teu labor no  mundo se destaque!

Resplende em inscrição, na majestosa placa:
teu nome que resiste ao tempo e não se opaca,
"Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac".

Aila Brito - cadeira 32
Patrona   - Auta de Souza


Resumo:
O soneto descreve a jornada do
"mestre" Bilac em sua busca 
pela perfeição estética.
Isolado do caos do mundo em sua
"torre de marfim", o poeta trabalha como um artesão, 
lapidando a linguagem ("lavas o verbo impuro") 
e domando a métrica ("impondo ao verso o freio"). 
Enquanto o mundo exterior é marcado pela escuridão 
e pela imperfeição, a poesia de Bilac 
ergue-se eterna e luminosa, 
imortalizando o poeta, 
com sua contribuição 
para a língua portuguesa ("a Flor do Lácio")
— e resiste ao tempo, gravado na história.
 
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CATARSE

Podes notar-me a tez crepuscular 
e a luz dos olhos meus desanimar-se...
Minha saudade nua e sem disfarce 
fere-me inteira e achou em mim um lar.

Agora no meu céu não tem luar
e a noite fria tende a demorar-se.
Enquanto me acorrento em tal catarse,
existo apenas... já nem sei chorar.

No inverno que me invade e se avoluma,
as lágrimas eu sorvo, de uma em uma,
sem esperanças de outra juventude.

Amei, mas a ternura fez-se mágoa,
bordada em meu olhar ferido trago-a...
e vivo sem viver... um luto amiúde...


Geisa Alves - Cadeira n.23 
Patrono Artur Azevedo


O soneto retrata a saudade. 
É sobre um amor que se transforma 
em mágoa e deixa o eu lírico imerso 
em um inverno emocional.
Resta a sensação de existir
sem verdadeiramente viver, 
preso a um luto que persiste no tempo.

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ESTAÇÃO PROPÍCIA

Os pássaros ajuntam-se em casais,
é manifesto o gáudio que prospera;
há flores às braçadas, festivais...
raiou o sol de nova primavera.

A fim de celebrar o fim da espera,
os bosques alardeiam seus ninhais.
A natureza em cores exubera,
em atavio de florações vernais.

É tempo de plantar (os grãos e os sonhos),
fazer do peito ninho aconchegante,
de sermos, feito os pássaros, risonhos.

Da terra vem o fruto, com fartura,
dos grãos disseminados na vazante;
dos sonhos vem o bálsamo que cura.


José Erato - Cadeira 25 
Patrono Vicente de Carvalho

Uma celebração da iminente 
chegada da primavera e, ao mesmo tempo,
uma analogia com a necessidade
de sempre renovar em nós os sonhos 
e a esperança, que nos salvam do inverno 
de nossa própria alma.


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BODAS DE NEVE

Fomos passando juntos ano a ano,
já fez sessenta e sete - num minuto -
se alguns não foram bons, também me ufano,
pois não se alcançam glórias sem tributo.

Com benefício, muitos; outros... dano,
fomos felizes no final, contudo.
Foi uma peça, e ao abrir o pano,
improvisamos texto, cena, tudo. 

Criamos nossos filhos, nossos netos
sempre a trilhar caminhos bons, discretos,
chutamos bem, igual o craque deve,

Deus nos aplaude sempre e acha bom,
manda-nos como prova, em alto som,
neste verão, as BODAS são DE NEVE.

Raymundo Salles - Cadeira 18 
Patrono Ineifran Varão

Resumo
Aqui, neste soneto, 
estão sessenta e sete anos de vida conjugal
cheios de erros e acertos, 
de glórias e tributos, 
forjados todos no amor
e na certeza de que sem Deus
nada do que foi feito seria possível.

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TEMPO DE CRIANÇA

Recordo ainda o tempo de criança
em que eu brincava alegre e bem feliz;
colhia flores, frutos: só festança,
em meus canteiros junto ao chafariz.

Resgato o tempo em forma de lembrança,
mantenho a seiva forte, qual raiz
que nutre a planta, traz a segurança
e assim conserva a força que condiz

com tudo aquilo aceso na memória.
Se a noite traz a lua entre estrelas,
eu logo evoco o airoso vaga-lume

que volitava pela minha história.
Infâncias sem folguedos? Como tê-las?
É o mesmo que uma rosa sem perfume.

Basilina Pereira - Cadeira nº 33
Patrono: Jorge de Lima
Sinopse: evocações do tempo de criança.


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O ENCONTRO DE DANTE E CAVALCANTI

Ao sexto círculo chegando, Dante
encontrou os culpados de heresia.
Várias covas naquele espaço havia,
onde queimava a gente discordante.

O poeta topou com Cavalcanti,
padecendo a mesmíssima agonia;
e este pediu notícia se vivia
seu filho Guido, espírito pensante.

Constrangido, o poeta quer calar-se,
pensa por um instante e se reprova:
"Guido vive", lhe diz, "mas em pecado".

Ri-se o fantasma velho na catarse
e volta a recolher-se ao fogo e à cova,
satisfeito, soberbo e compensado.

Filipe Cavalcante - Cadeira n° 36
Patrono: Ariano Suassuna

O soneto é uma releitura
de uma passagem da Divina Comédia, 
na qual Dante se encontra com
Cavalcante dei Cavalcanti, pai do famoso 
poeta Guido Cavalcanti. 
O sexto círculo do Inferno é o dos hereges.
O soneto tenta simpatizar 
com o orgulho dos espírito livres 
e pensantes, renitentes 
mesmo no Inferno dantesco.

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SAUDADES DE MIM...

Não me conheço mais, preciso do passado
em que eu trazia a paz no olhar a cada instante,
e, quando o pranto desce, indago atormentado:
-Cadê o céu azul do amanhecer distante?

Não me conheço mais, pois tudo está mudado,
a rara sensatez fugiu do meu semblante...
De todo o meu viver, perdi o meu reinado,
como existir assim e nesse breu gigante?

Às vezes, peço ao céu que me revele em sonho
a solução, porém acordo e sou o mesmo,
sem horizonte algum a prosseguir a esmo...

Às vezes, peço a Deus, nos versos que componho,
a tal felicidade, um pouco do que eu era
no tempo promissor da antiga primavera!

Janete Sales - Cadeira 05 
Patrono Augusto dos Anjos


Resumo:
O soneto expressa um profundo 
sentimento de nostalgia, 
marcado pela crise de identidade 
e pela angústia diante 
da passagem do tempo. 
O eu lírico demonstra dificuldade 
em reconhecer a própria imagem
e sente saudade de quem foi um dia.
Diante desse sentimento de desamparo 
e das transformações impostas pelo tempo,

recorre à fé e ao divino, buscando respostas, 
consolo e, talvez, uma forma 
de reencontrar a si mesmo.


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DESPEDIDA

Quando eu, enfim, partir em busca da amplitude
do plano espiritual, ignotas cercanias,
irei por certo em paz, sem mágoas vãs, tardias,
liberto da soberba e da altivez que ilude.

Tristezas, tive-as, sim; pesares, amiúde;
mas conquistei também vitórias e alegrias.
Nos campos da afeição, vi flores e colhi-as,
haurindo seu perfume em toda plenitude.

Ao pressentir meu nome, amada, de repente,
dedique-me um sorriso e continue em frente,
talvez eu volte, em sonho, a acalentar seu sono

e pense, enquanto a tarde acena em despedida,
quão pouco somos nós na árvore da vida:
— folha que, débil, cai, banhada ao sol de outono...

Paulo Tórtora - cadeira 20
Patrono Fagundes Varella

Resumo:
Testamento à amada, d'après 
Guerra Junqueiro na lírica morbidez
de "A Velhice do Padre Amaro".


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KLINGER COMPLETA 86 ANOS DE IDADE

Oitenta e seis de idade, a vida informa.
—Vamos brindar, que um tempo a mais nos resta.
O mês de outubro faz pensar na forma,
nós dois sabemos dar o tom à festa.

Para o convite, a lista segue a norma:
local, horário, som, cardápio; nesta
bonita casa, a equipe vem, reforma
e a turma unida canta na seresta.

É justa a causa, nós vivemos bem!
Os parabéns, merece a todo instante,
abraços, beijos, muito amor também.

Vamos cantar, sorrir, pedir agora
que a dor não venha mais e o mal espante!
Felicidade em nosso peito mora.

Silvia Araújo Motta - Cadeira 09
Patrono: Guilherme de Almeida

Inspiração:
Para o aniversário de meu esposo, estamos
planejando a comemoração especial,
entre familiares
e amigos.

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AMOR INSANO


"Nesta história apenas eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo".
(Soneto LXVI, Pablo Neruda, Chile, 1904-1973)

A sangue e fogo, assim te quero tanto,
vivo a morrer de amor e além prossigo
a carregar a dor de amar comigo,
nesse silêncio em que sozinho canto.

A sangue e fogo trago em mim e imanto
esse querer sem ter, enfim, contigo
a vida que sonhei, um sonho antigo
que nunca morre, para o meu espanto.

Eu te amo muito, mas também renego
a força desse elã insano e cego
que a sangue e fogo pulsa em minha tez.

Assim te quero e sem querer eu quero
morrer contigo ao som de algum bolero
ou não morrer... Viver, enfim, talvez. 

Edir Pina de Barros - Cadeira n. 6 
Patrona Cecilia Meireles

Este soneto foi escrito 
com a estrita intenção de estabelecer 
um diálogo com o poema de Pablo Neruda,
inclusive no tom de seu lirismo.

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O TRIGAL

O bom trigal rumorejante e brando,
com vagarosos movimentos, dança…
E o sol espalha luzes, retocando
sublimemente a imensidade mansa.

Os múltiplos pendões, de quando em quando,
inclinam-se aos caprichos da mudança…
O vento serpenteia, murmurando,
agita-se de leve… e enfim descansa.

O poente tremula na campina,
as sombras distanciam-se consigo,
a seara repousa junto à estrada.

Ao longe, na varanda pequenina,
alguém descerra um livro muito antigo
e pronuncia a página sagrada.

Paulo Maurício G Silva
Cadeira nº 3 – Alphonsus Guimarães

(Inspiração surgida de um agradável 
momento de meditação a céu aberto)

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BELEZA DIFERENTE

A dor de alguma árvore despida
de folhas, flores, frutos, mundo afora
é inevitável, pois o mal devora
a lírica autoestima dessa vida.

Porém, é inconcebível nessa lida
não perceber o bem que nela mora:
raízes, tronco, galhos, bio... embora
aos olhos do homem seja preterida.

Mas há olhares que a mantêm sagrada,
num pôr do sol e em mágica alvorada...
existe nela o belo diferente.

Essa visão que mata o preconceito,
e o divergente pode ser aceito,
acende o amor que abraça e nunca mente.

Marlene Reis - Cadeira 26
Patrono: Manuel Du Bocage.


Resumo:
A dor da árvore nua simboliza 
o preconceito humano que só
valoriza o ornamento. No entanto,
olhares sensíveis ainda
a acham bela e sagrada.
É um convite a amar o diferente 
para além da aparência.